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Conferência ONU sobre Racismo e Xenofobia: alvo é Israel.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 de março de 2009.

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Vários países já ameaçam não participar da Conferência das Nações Unidas sobre Racismo e Xenofobia, marcada para ocorrer em Genebra, de 20 a 24 de abril de 2009.

O problema está no documento-guia, elaborado por uma comissão dirigida pelo presidente de turno da União Africana e cujo foco dirige-se a acusar Israel e promover o anti-sionismo.

Referido presidente de turno da comissão é o ditador líbio Muammar Gaddafi, acusado durante anos de financiar e apoiar o terrorismo internacional.

O comportamento do ditador Líbio, que na semana passada estreitou laços e trocou gentilezas com o premier italiano Silvio Berlusconi, já deu causa a embargos econômicos no seu país.

Dessa comissão que elaborou o contestado documento-guia faz parte o Irã, cujo presidente prega o fim de Israel e considera o Holocausto (Shoá) uma farsa.

Para Hillary Clinton, secretária de Estado, o documento-guia é inviável.

No documento, ressaltou Hillary, Israel é considerado “um ente” ocupante de terras e que faz valer uma lei discriminatória, racial, ou seja, um novo “modelo de apartheid”, a representar crime contra a humanidade. A população palestina é apontada como única vítima desse comportamente dos ocupantes.

No momento, a preocupação maior é de se abrir caminho para se repetir o sucedido na anterior Conferência de Durban, ocorrida na África do Sul, poucos meses antes do covarde ataque de 11 de setembro de 2001.

Em Durban, a questão do combate global ao racismo ficou restrita ao sionismo. Ditadores sanguinários como Robert Mugabe, do Zimbabue, ocuparam a tribuna para afirmar que os hebreus “usavam o Holocausto” para justificar o “racismo contra os palestinos”.

À época, na magnífica cidade de Durban, às margens do oceano Índico, a conferência foi logo abafada pelos covardes ataques terroristas de 11 de setembro.

A França, no final desta semana, confirmou presença na conferênia de Genebra, mas o mesmo não se deu com EUA, Canadá, Itália e Israel.

PANO RÁPIDO. Há o risco de se repetir Durban, utilizando-se a conferência para unicamente atacar Israel e esquecer o racismo e a xenofobia espalhadas pelo mundo, em tempos de Al Qaeda, Bin Laden, talebans, Darfur (Sudão), Mogadiscio (Somália), etc.

Não há dúvida que a ação de Israel em Gaza foi desproporcional, excedeu os limites da legítima defesa e, pelo número de civis inocentes mortos (dentre eles crianças, idosos e mulheres) houve crime de guerra, contra a humanidade.

O que não se pode, no entanto, é transformar a conferência em palco único de uma fúria anti-sionista.

Isso de modo a esquecer o grave quadro de racismo e de xenofobia. Aliás, xenofobia acentuada pela atual crise financeira internacional. Crise que está a produzir um nacionalismo de matriz fascista, com aversão aos estrangeiros residentes, que já começam a perder postos de trabalho e são injustamente considerados responsáveis pela crise do desemprego.

O radicalismo do Irã, Hamas e Hezbollah ao pregarem a destruição do estado de Israel e do povo hebreu não foi objeto de menção em Durban. Tal postura, como muitas de Israel, deve ser condenada. Mas, pelo documento-guia, o alvo é apenas Israel.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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