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Direitos Humanos: Papa conforta funcionários da Fiat e fala da crise, no primeiro domingo da Quaresma

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF-Terra Magazine, 2 de março de 2009.

Os demitidos da Embraer viveram, há pouco, a esperança de o presidente Lula reintegrá-los nos postos de trabalho.


Como Lula não faz milagres e nem é o culpado pela presente crise, os desempregados da Embraer, diante da resignação do presidente, foram à Justiça em busca de liminar, ainda que de vida curta, até para não quebrar a empresa de aviação e prejudicar os trabalhadores cujos contratos não foram rescindidos.


Ontem, primeiro domingo da Quaresma e durante a recitação do Angelus feita da janela dos aposentos papais, operários da fábrica da Fiat de Pomigliano d´Arco, -- que estão em greve para pressionar a empresa a não demitir e nem fechar as instalações--, concentram-se na praça São Pedro. Debaixo da janela do papa Ratzinger exibiram faixas e não esconderam o desespero.


O papa Bento XVI não os decepcionou. E o sindicato de esquerda, Cgil, aprovou o pronunciamento do pontífice, até porque os sindicatos estão perdidos e não adianta o discurso a apontar o sistema neoliberal como culpado, com FMI e Banco Mundial como co-responsáveis.


Na fala, Ratzinger foi prudente, para surpresa geral: - “Desejo encorajar as lideranças, políticas, civis e empresariais, a fim de que, com a união de todos, se possa enfrentar esse momento delicado”, disse o papa.


Em outra passagem da alocução, Ratzinger enfatizou: - “De fato há necessidade de um esforço comum e forte, sem perder de vista que a prioridade deve recair nos trabalhadores e nos seus familiares”.


Três dias antes, o papa já havia se manifestado sobre a crise econômica global e anunciado estar próxima a conclusão de uma encíclica de conteúdo social.


Em nenhum momento, o papa Ratzinger avançou as regras da separação entre Igreja e Estado, ao falar a trabalhadores da Fiat (Fábrica italiana de automóveis de Torino). Como líder espiritual, competia-lhe encorajar e não esconder a gravidade do momento.


A coincidência com o início da Quaresma ajudou, pois, para os católicos e a liturgia da Igreja, tratava-se de início de tempo de penitência e de novamente se recomeçar.


No mesmo domingo, os chefes de estado e de governo que lideram a União Européia, em Bruxelas e sob a presidente de turno, o tcheco Mirek Topolanek, não aprovaram a proposta de liberação de 180 bilhões de euros aos países do Leste-europeu, para saneamento do sistema bancário da Europa oriental.


A chanceler alemã, Angela Merkel, entendeu que a proposta da Hungria, voltada à ajuda ao sistema bancário oriental, que contava com o apoio dos nove países do Leste da Europa, era precipitada. Na sua visão, precipitada uma vez que ainda não se conhecia a exata dimensão do problema e havia muitos especuladores desejosos de vantagens indevidas.


PANO RÁPIDO. A crise econômica-financeira é preocupante. Na Europa, os nacionalistas (neo-fascistas) apontam, com as inerentes xenofobia e racismo, para o culpado errado, ou seja, o imigrante. Aquele, na visão torpe e desumana, que ameaça o emprego local e retira o trabalho do nacional.


Essa crise, e basta atentar para a vitória no domingo do partido do falecido Jorg Haider na Áustria, para se perceber que a crise atual, como a ocorrida na grande depressão dos anos 30, favorece aos nacionalistas (fascistas), sempre dispostos a fechar suas fronteiras e expulsar os imigrantes.
Wálter Fanganiello Maierovitch.


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