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DROGA: Aumentam cultivo e produção de cocaína, segundo Junta da ONU.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF-TERRA MAGAZINE, 22 de fevereiro de 2009.

cloridrato de cocaína.

Em 2000, no governo Andrés Pastrana, teve início o chamado “Plan Colômbia”, no qual os EUA investiram milhões de dólares nos seus cinco anos de vigência.


O “carro-chefe” do “Plan Colômbia”, depois transformado em Iniciativa Regional Andina (IRA), voltava-se ao derrame aéreo de herbicidas (glifosato, vendido pela Monsanto com o nome comercial de Roun Up) em áreas de plantio de folha de coca.


Pela fumigação, acreditavam os generais norte-americanos, autores do projeto e fiscalizadores da execução, na destruição da matéria-prima (folha de coca) usada na elaboração do cloridrato de cocaína.


O Plan Colômbia fracassou e os milhões de dólares foram para o “ralo” da incompetência dessa supracitada e militarizada iniciativa. O mentor do plano, no governo do democrata Clinton, foi o czar antigrogas da Casa Branca, general Barry MacCaffrey, um republicano.


As áreas de plantio migraram para as reservas ecológicas, onde era proibido por lei o derrame de herbicidas. Mais, o cultivo da coca migrou, também, para áreas da floresta amazônica colombiana e para os vizinhos Peru e Bolívia.


Em síntese e conforme revelado por exames de fotografias por satélite, a área de plantio de coca na Região Andina não se alterou, em termos de oferta de folhas de coca, nos cinco anos do Plan Colombia.


A Dyn Corp, --que foi a empresa norte-americana de segurança privada contratada para realizar as fumigações aéreas do “Plan Colômbia”--, embolsou US$170 milhões nessa aventura chama “Plan Colombia”.


O fumigamento com glifosato provocou danos ecológicos irreversíveis e esses afetaram até o Equador, em face da contaminação fluvial.


Nesta semana, saiu mais um dos relatórios “chapa-branca” das Nações Unidas, que continua a apostar no combate às drogas pelas vetustas e ultrapassadas regras estabelecidas na Convenção de Nova York de 1961 (ainda está em vigor).


O relatório da Junta Internacional de Controle de Entorpecentes (criada para fiscalizar o cumprimento das regras da Convenção de Nova York de 1961) refere-se ao ano de 2008. Para esse órgão, --que recebe informações dos próprios estados-membros da ONU--, o cultivo de folha de coca cresceu 27% com relação ao ano de 2007. Isto gerou a produção de 600 toneladas de cloridrato de cocaína.


Aumentos na área de cultivo, sempre consoante a Junta, ocorreram no Peru e na Bolívia, na ordem de 5%.


Para a Junta, a área andina de cultivo atingiu, em 2008, 181,600 hectares e 55% do plantio está na Colômbia. Seguem, o Peru com 29% e a Bolívia com 16%.


Dentre os pontos de partida de distribuição da cocaína para os EUA (maior consumidor mundial) e Europa, o relatório aponta para a Venezuela e México.


No México, consoante registrado nesta semana em “post” deste blog Sem Fronteiras, a situação é dramática e a “war on drugs” continua a matar civis inocentes: confira-se a afirmação do ministro da Economia, feita em Paris e segundo o qual o próximo presidente mexicano será um narcotraficante.


A menção à Venezuela, por relatório realizado por uma Junta de peritos aprovados pelos EUA, faz parte da propaganda de demonização do presidente Chávez, que, corretamente, expulsou 007 da agência norte-americana de inteligência sobre drogas (DEA): a DEA bisbilhotava a atuação política do presidente Chávez e nada fazia para ajudar no combate às drogas.


PANO RÁPIDO. O relatório serve para mostrar a falência das políticas sobre o fenômeno das drogas ilícitas que as Nações Unidas insistem em recomendar: o modelo seguido é o da “war on drugs”. Serve, também, para Colômbia continuar a pedir dinheiro para o combate, no seu eterno plano de “enxugar gelo”: 80% da cocaína ofertada no planeta provém da Colômbia.
Wálter Fanganiello Maierovitch.


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