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CASO BATTISTI: desespero e argumentos ad terrorem.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 20 de fevereiro de 2009.

Battisti.


O giro da semana mostra ter Battisti entrado na fase do desespero e dos argumentos “ad terrorem”, diante da aproximação do julgamento da extradição, previsto para o início de março.


Tudo agravado pelo indeferimento de mais um pedido para ser colocado imediatamente em liberdade. Pedido baseado na decisão concessiva do status de refugiado, da lavra do ministro Tarso Genro.


Na Itália, o irmão de Battisti escreveu uma carta dirigida ao presidente Giorgio Napolitano: ele sabe que é a extradição é uma questão de Estado e por isso se dirigiu ao chefe de Estado e não ao caricato Sílvio Berlusconi, chefe de governo.


O irmão de Battisti, na carta sustenta ter sido ele, em cárcere brasileiro, vítima de espancamentos, torturas e ofensas. Consta da carta do irmão pedido de concessão do benefício da “graça” (clemência do Estado) a Battisti, que é da atribuição exclusiva do Presidente da República italiana.


Como o pedido de extradição foi formulado pelo Estado italiano e Battisti continua a afirmar inocência, mais vícios e erros nas decisões emanadas por todas as instâncias da Justiça italiana e pela Corte de Direitos Humanos da União Européia, o presidente da Itália dificilmente lhe concederá o benefício da “graça”.


Além do mais, um benefício formulado por foragido, que cria factóides para desacreditar a Magistratura italiana, que lhe teria torturado.


Um estranho pedido de graça, quando o próprio Battisti frisa estar a Itália sob governo da Máfia. Talvez, fosse melhor o irmão de Battisti ter tentado por meio de Totó Riina (capo dei capi di Cosa Nostra) e não de Giorgio Napolitano, um comunista histórico e de respeito.


Por falar em factóides, o jornal italiano La Stampa, terceiro em circulação e editado na industrial cidade de Torino, publicou uma série de entrevistas no Brasil sobre o caso Battisti.


A última entrevista, com o ex-deputado José Dirceu, não foi publicada, por considerada uma afronta aos fatos. Por exemplo, Dirceu disse que a França e países amigos deram asilo político a Battisti.


Para o jornal La Stampa, o declarado na entrevsia por Dirceu desinformava os leitores e contrariava a verdade.


Como explicou o jornalista Paolo Manzo, do La Stampa: “nenhum país concedeu asilo político a qualquer ex-terrorista italiano, inclusive a França, onde vigorava uma situação de fato (doutrina Miterrand), jamais sancionada juridicamente. Tanto que a Justiça francesa extraditou Battisti depois de ter submetido o caso à Corte Européia, a qual não somente se manifestou sobre a legitimidade do processo e da condenação imposta, mas também sobre a regularidade do processo de extradição”.


O ex-ministro José Dirceu, no seu blog, já havia informado erroneamente ao sustentar a pressão pela extradição feita pelo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, um conhecido direitista trapalhão e com pendores neofascistas (começou no partido socialista com Bettino Craxi) que a Constituição italiana e a Corte Constitucional Suprema conseguem evitar que se torne um ditador.


O jornal Corriere della Será, por exemplo, quis saber a opinião de Berlusconi sobre a extradição de Battisti. Ele disse que não falaria sobre o caso e as questões jurídicas deveriam ser formuladas ao ministro da Justiça da Itália. E as questões de Estado, com o presidente da República.


Como se percebe, desinformar é o esporte predileto do ex-ministro José Dirceu, no que toca ao caso Battisti.


Ontem, durante sessão no nosso Senado, foi lida uma carta escrita por Battisti intitulada Por que eu ?.


Nessa carta, Battisti substituiu o seu lado de escritor, –com livros policiais de sucesso e publicados até pelas duas editoras de Sílvio Berlusconi–, por um oportunismo sabujo, por contradições e por diversionismos ao sabor do seu interesse.





Com efeito. A pergunta, “por que eu ?”, é de fácil resposta.


Afinal, Battisti encontra-se definitivamente condenado por quatro homicídios.


Percorreu todas as instâncias de uma Magistratura independente.


Bateu à porta da rígida Corte Européia de Direitos Humanos, sem sucesso.


E teve a extradição deferida pela Justiça da França, da qual fugiu para não ser extraditado.


O acordo-bilateral celebrado entre Brasil e Itália em 98 estabelece que os países não farão a revisão das decisões das suas Justiças, ou seja, se justas ou injustas acerca do mérito.



Para Battisti, segundo o inserto na carta, a “perseguição está fora de tempo”. Ora, juridicamente, ainda não ocorreu a declaração, pela Justiça italiana ou pelo nosso Supremo Tribunal Federal, da prescrição dos crimes.


Ao contrário do acontecido, por exemplo, com o assassino Achile Lollo, que incendiou e matou a família (incluído um bebê) de um varredor de ruas (gari): Lollo se apresenta como ideólogo do PSOL (já foi defenestrado do PT, quando foi conhecido o seu passado de “churrasqueiro de seres humanos”) e responsável pela revista desse partido. Diante da prescrição, Lollo vive no Rio de Janeiro e não se tem notícia de haver, no Brasil, tentado incendiar a casa de um nenhum gari de limpeza pública.


Depois de pedir perdão, Battisti nega a autoria dos crimes : “À Itália cristã, me conceda perdão.


A propósito, numa significativa passagem da carta, Battisti escreveu: “ Vivemos em uma era de democracia. Será que não chegou o momento de a Itália recordar da sua própria alma cristã ? O perdão é um ato nobre. Por isso, o vaticano pediu desculpas pela caça às bruxas”.


A democracia agora invocada, era o regime que Battisti queria destruir pelas armas e não pelo voto. Mas, como democracia se Battisti, na carta, escreve que a Itália é governada pela Máfia ? ! ? !


Sobre o tema, o também contraditório ministro Tarso Genro, na terça feira passada, afirmou : - “ não era humanamente aceitável e politicamente justo tomar armas na Itália nos anos 70”.


Como se percebe, até o ministro Tarso Genro já começou a se livrar do factóide de que a Itália não era democrática e vivia sob governo de ultradireita.


Genro parece já ter percebido que à época de Battisti o presidente era Sandro Pertini. Ou seja, um socialista que ficou encarcerado por combater o fascismo e tinha o grande Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano, como vizinho de cela.


PANO RÁPIDO. Na carta, Battisti define a Itália como governada pela Máfia e que corre risco de perder a vida caso seja extraditado. Como frase que deve ter extraído de uma sacristia vaticana, ressaltou na carta: “uma sociedade sofre mais com a prisão de um inocente do que com a absolvição de um culpado”.


Como Tarso Genro concedeu o status de refugiado por Battisti poder ser perseguido e lesionado fisicamente, este aproveita o argumento e dispara estar aItália nas mãos do crime organizado.


No fundo, um Battisti de ataques “ad terrorem”, que já foi sua especialidade, mas no sentido de matar na periferia açougueiro, joalheiro, carcereiro e agente policial. E para apavorar, Battisti dedicou-se a disparar contra a perna de transeuntes, que saiam do trabalho, impondo-lhe marcas e lesões perpétuas. Algo de canalha-covarde.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–


Em tempo: para os patrulheiros que freqüentam este espaço para, por mensagens, chamar o autor de fascista, e a causar espanto por freqüentarem blog de fascista (o que fariam por aqui ?), adianto a resposta que encaminhei ao jornal Folha de S.Paulo, por ter sido mencionado em artigo de um dos amigos-defensores de Battisti, de nome Giuseppe Coccco.

Antes, deixo consignado ser fascista quanto, e só para citar alguns, Giorgio Napolitano, os membros do esquerdista Partido Democrático italiano, Walter Veltrone (da junetude comunista), Piero Fasino (ex-ministro da Justiça na então coligação de esquerda), e o magistrado Giancarlo Caselli (chamado de toga-vermelha por Berlusconi). Todos os citados, que conhecem a história, são favoráveis à extradição de Battisti, esse herói da gauche-caviar.


No artigo publicado, o senhor Cocco corta a metade final e conclusiva da minha frase, para poder desvirtuar.


Daí, tira ilação que lhe convém, para considerar heróico os quatro assassinatos de Battisti.
A pergunta formulada pela Folha, no artigo que escrevi em honroso convite do jornal, era sobre o Supremo tribunal federal e a possibilidade de rever o refúgio concedido ao assassino Battisti.


Meu texto, –cortado por má-fé ou incapacidade daquele que leu mas não conseguiu compreender–, fala da Justiça italiana, em face da consolidação democrática com a Constituição de 48.


A metade da frase cortada consistia na afirmação: “com uma magistratura independente e a observar as normas constitucionais”.


Em 48, a Itália não adotou a fórmula de Montesquieu de separação de poderes.


A Magistratura italina não é poder pela Constituição 48, mas tem independência e é obrigada a respeitar a Constituição.


Essa é a conclusão “censurada” pelo articulista de nome Cocco.


Com efeito, a Magistratura independente foi consolidada pela Carta democrática de 48. E a Magistratura condenou Battisti definitivamente.


Quanto ao resto, de o caso Battisti ser essencial para o futuro da demorcacia, prefeiro não comentar conclusões estúpidas, que muito agradarão os agentes da ditadura brasileira que torturaram e mataram.
WFM.


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