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Caso Battisti: abraço de afogado.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF,16 de feveriro de 2009.


Na avaliação do governo, o Caso Battisti, depois da concessão pelo ministro da Justiça do status de refugiado, sobreviveria poucos dias na mídia. Segundo o governo, tratava-se de uma decisão soberana. Desde janeiro, Battisti é notícia diária na mídia nacional e internacional. A “patriotada” apoiada na tal decisão soberana reporta à era Bush, autor de soberanas e trágicas decisões sobre a invasão do Iraque, torturas em Guantánamo etc. Decisões soberanas são criticáveis e muitas delas ofendem nações, violam direitos universais, em especial os ínsitos ao ser humano, como o direito à vida e o respeito às famílias dos mortos. Não é à toa que existe um Tribunal Penal Internacional.


Certas decisões soberanas podem ser inconstitucionais e ilegais. E a de Genro foi, nesta semana, atacada por mandado de segurança. Ou melhor, questionada na Justiça por meio de remédio constitucional nascido no Brasil.


A decisão soberana de Genro, encampada por Lula, é, na verdade, um soberano descaso. Favorece apenas Battisti, que, além de pluriassassino e conhecida folha criminal de antecedentes, dedicou-se, numa estratégia para criar pânico, a disparar tiros de fuzil contra as pernas de pessoas indeterminadas, que circulavam pelas ruas na volta do trabalho.


Sobre ilegalidade e inconstitucionalidade, Genro espantou a Europa, cujo Parlamento reagiu em face do único fundamento contido na sua canhestra decisão asseguradora de refúgio: o de Battisti correr risco de perder a vida, caso retornasse à Itália.


Nesta semana, dois fatos novos, incluído o supracitado mandado de segurança, mostram que o “abraço de afogado” dado por Tarso Genro em Lula pode ser fatal para macular, com sangue de vítimas e lágrimas de familiares, a imagem internacional do nosso presidente.


O pedido de segurança feito ao Supremo Tribunal Federal pelo Estado italiano mostra, entre outros irrespondíveis argumentos jurídicos, ter Tarso Genro dado uma decisão sem apresentar o motivo, a razão do seu convencimento.


Genro entendeu, frise-se, que a Itália não garantiria a vida de Battisti. No entanto, deixou de explicar o porquê. Ou melhor, quais os motivos a considerar a Itália uma espécie de Ilha do Diabo das Guianas, retratada por René Belbenoit, o verdadeiro Papillon dos cinemas.


Por acaso, teria sido temor de Berlusconi mandar matar Battisti com um chute de fora da área de Ronaldinho (Dinho, para Berlusconi)? Tudo é possível para quem já se equivocou ao afirmar que, ao tempo de Battisti, a ultradireita governava a Itália, a descaracterizá-la como um Estado Democrático de Direito.


O certo é que a Itália tem uma Constituição republicana desde 1948, que Battisti e outros extremistas de esquerda e de direita tentaram aniquilar pela força das armas e não do voto.


De lembrar também que essa Constituição italiana, por exemplo e nestes últimos dias, garantiu ao presidente Giorgio Napolitano opor-se a um decreto do premier Berlusconi e mandou cumprir a decisão da Justiça que determinava, por questões humanitárias, a pedido da família e sem observar o outro lado do rio Tevere (onde fica o Vaticano), o fim de medidas que prorrogaram por dezessete anos a vida vegetativa de Eluana Englaro.


Por último, nesta semana e na França, os atuais e os antigos “asilados de fato” reprovaram pública e pesadamente a dupla Fred Vargas e Battisti, este nunca merecedor de sua confiança: foi apoiado, quando da prisão, por motivos óbvios.


Um ex-asilado desabafou aos jornais franceses: “Essa dupla vê trama em tudo, como nos seus romancinhos”. Para muitos, Battisti e Vargas mentem e colocam em risco os ainda em asilo de fato pela Doutrina Mitterrand, jamais escrita. Para os asilados, Vargas mentiu ao difundir que Carla Bruni, primeira-dama da França, intercedera no Brasil em favor de Battisti. Pela televisão, Carla desmentiu, falou que isso era injúria e se solidarizou com as famílias das vítimas de Battisti.


Battisti, sempre na visão dos asilados, traiu todos e mente no Brasil, onde poucos sabem sobre o acontecido na Itália.


Lembram ainda que Battisti, em entrevista, tachou de colaboradores de Justiça, delatores, dois líderes do PAC que simplesmente admitiram os crimes, sem acusar outros. E a história do passaporte e monitoramento pelos 007 da França enfureceu refugiados barulhentos como Oreste Scalzone, espécie de decano da categoria. Todos sabem que esse tipo de versão traz à tona a velha suspeita de um acordo entre a autodenominada esquerda revolucionária com os fascistas dos serviços secretos.


Num desabafo registrado pela mídia, Scalzone definiu Battisti como traidor: “Só falta Battisti e Vargas lançarem outra flecha contra alguém que se empenha pela França como terra da liberdade e pela Doutrina Mitterrand”.


Flechas nos asilados e abraço de afogado em Lula. Um Genro que, como a “gauche-caviar” Vargas, escritora de livros de suspense como Battisti, pensa que a Itália nunca saiu do fascismo.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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