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Berlusconi edita os livros de Battisti.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 7 de fevereiro de 2009.

Sílvio Berlusconi.

O meu dia começou azedo.


Nada surpreendente.


Como ensina a minha caneta-falante Concetta Rompe-coglioni, os dias são doces, amargos ou azedos. E essa minha assessora especial, a Rompe-coglioni, sempre alerta que os sabores mudam ou se misturam no curso da jornada.


Pois bem. Depois de nove meses preso pela polícia de São Paulo com 60 comprimidos de ecstasy para traficar ilegalmente, descobriu-se que o traficante Manoel Oliveira Ortiz, nascido na cidade mineira de Borda da Mata, não era brasileiro.


Nos nove meses passados no Centro de Detenção Provisória II e no curso das investigações pelo Departamento de Narcóticos de São Paulo (Denarc-SP) ninguém desconfiou do mineiro Manoel.


Desconfiar por quê ?


Afinal, todo o mineiro é maneiro, não se expõe e nunca sai de cima dos muros da vida.


A propósito, não se deve levar em conta um certo e já distante dia-azedo do Otto Lara Resende. Aquele que escreveu que mineiro só é solidário no câncer. Para quem não lembra, lá vai:
“Tenho para mim que sei, como todos os brasileiros, os três primeiros minutos de qualquer assunto.
O único erro humano que merece a pena de morte é o de revisão.
Abraço e punhalada a gente só dá em quem está perto.
A tocaia é a grande contribuição de Minas à cultura universal. O mineiro só é solidário no câncer.”


Voltando ao Manoel. Nos nove meses de investigações do Denarc ninguém foi a Borda da Mata. Ninguém telefonou para o cartório de Registro Civil de Borda da Mata para saber sobre a lavratura de um assento de nascimento de Manoel Oliveira Ortiz.


Em resumo. Ninguém do Denarc-SP teve a curiosidade sobre o motivo de o então mineiro Manoel só falar espanhol e não saber o português. Nem se cogitou de Manoel, quando bebê, ter sido adotado por casais espanhóis e passado a viver em país de língua espanhola.


Como a polícia pode contar com intérpretes juramentados, não haveria problemas de Manoel só falar espanhol.


Parênteses: lembro de uma grande calúnia do megatraficante Abadia, preso por pressão da DEA (agência americana de arapongas antidrogas) !!!


Depois de anos a traficar cocaína e a lavar dinheiro no Brasil do mega-cartel colombiano do Vale Norte, o tal Abadia disse que para o nosso país combater o narcotráfico precisaria fechar o Denarc-SP.


Quem descobriu que o Manoel era o mega-traficante Carlos Ruiz Santamaría, apelidado na Espanha de “El Negro”, foi o delegado Adalberto Barbosa, do Departamento de Investigações Criminais (Deic-SP). Isto porque investigava empresas fantasmas para lavagem de dinheiro.


O delegado Barbosa (do Deic e não do Denarc) chegou no nome de um dos fantasmas. Descobriu que estava preso e era fugitivo da Justiça da Espanha, onde “El Negro” é acusado de narcotráfico internacional.


Graças ao delegado Barbosa, o traficante não vai continuar, como se diz no jargão policial, “a dar uma de Mané”. Diga-se, “Mané-mineiro”.


Mas, a minha assessora, a caneta-falante Concetta-Rompicoglioni, salta do bolso da minha camisa e avisa que está interessada na história de o Berlusconi, pela suas editoras Enaudi e Mondatori, editar livros do Battisti.


O jornalista Marco Travaglio, na sua coluna na revista L´Espresso que acaba de chegar às bancas ( a L´espresso é do grupo do jornal La Repubblica), lembra que nas livrarias italianas qualquer pessoa pode entrar e adquirir os livros policiais do escritor Cesare Battisti.


Os livros de Battisti, conforme destaca Marco Travaglio, são editados pela Mondatori e Enaudi, ambas empresas cujo controle acionário está em mãos de Sílvio Berlusconi, atual primeiro ministro italiano.


Como a regra prevalente ensina que “negócios são negócios e ideologias não contam”, o grupo editorial de Berlusconi pode concluir que se trata apenas de uma isenta atuação empresarial.


Battisti, por seu turno e quanto aos seus livros serem editados por Berlusconi, deve achar que ainda é válido o velho princípio do Império Romano, ou seja, “pecunia non olet” ( o dinheiro não tem cheiro). Nem o que sai do bolso do Berlusconi, o homem mais rico da Itália, que está no cargo de premier (chefe de governo) apoiado por direitistas e neofascistas. No momento, ele litiga com o presidente Giorgio Napolitano (chefe de Estado), um comunista histórico e que goza de grande e merecido respeito na Europa.


PANO RÁPIDO. Battisti e Berlusconi são dois farsantes. Um com pendores mussolinianos. O outro, da gauche-caviar (esquerda-caviar).
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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