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CASO BATTISTI: Tarso Genro protagoniza tragicomédia e vai do masturbador a Bobbio.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 3 de fevereiro de 2009.

Tarso Genro.

-1. ONAN, o masturbador bíblico.

Não fosse trágico, o comportamento do ministro da Justiça Tarso Genro, no chamado Caso Battisti, faria gargalhar as mais variadas platéias.


Um Tarso Genro adepto do onanismo, da masturbação, fez os europeus se divertirem no final de semana. As famílias das vítimas do ex-terrorista assassino, por seu turno, perderem a esperança quanto o fim da impunidade conferida a Cesare Battisti. E Lula, que contava com grande prestígio na Itália e era carinhosamente chamado de “presidente operário”, é reprovado por ter referendado a decisão de Tarso Genro, considerada ofensiva à Itália e aos italianos.


Em artigo publicado no final de semana no prestigioso jornal Corriere della Sera, o experiente e competente jornalista Rocco Cotroneo, há anos no Rio de Janeiro como correspondente, traçou um perfil do nosso ministro da Justiça.


Rocco começou pelo Genro poeta para, diante de sua poesia, concluir : “Genro è il ministro della punheta, dispensiamo traduzione” (Genro é o ministro da “punheta”, dispensemos traduções).


A confessada inclinação para adotar o método de desafogo do bíblico Onan, o primeiro adepto da masturbação de que se tem conhecimento, o jornalista Rocco Cotroneo mostrou por meio da seguinte estrofe de um poema de Tarso Genro:

“Nonna Cacilda sembrava uma paperotta. (Vovó Cacilda parecia pata-manca)
Nonna Julica elettrica e ridente conversava con le lucertole. (Vovó Juliaca, elétrica e sorriedente, conversava com as lagartixas).
Quanto ti ho atteso e quanto seme inutile ho disperso fino a oggi.”
(Quanto te esperei e quanto sêmen inútil desperdicei até hoje)


-2. OFENSA a quem não é ignorante.

Como Tarso Genro imagina inexistirem jornalistas italianos no Brasil como correspondentes e nenhuma agência italiana de notícias a atuar por aqui (a Ansa está no Brasil há décadas), entendeu, pensando estar a conferir entrevista a desinformados, em aconselhar os italianos a elaborarem uma Lei de Anistia, como no Brasil.


No domingo, como informou Terra Magazine pelo Blog da Amazônia, do jornalista Altino Machado, o ministro Tarso Genro afirmou que, com exceção do jornalista Mino Carta, todos os que se manifestam pela extradição de Battisti para a Itália eram favoráveis à Lei de Anistia e apóiam os torturadores do regime militar.


Ora, quem sugere a Anistia aos italianos, para apagar os crimes de assassinos iguais àqueles consumados pela ditadura militar, é o ministro Tarso Genro.


Incoerente e inconseqüente, o ministro Tarso Genro ainda não percebeu a diferença de situações.


No Brasil, os que estavam a serviço da ditadura militar e mataram, desapareceram com corpos e torturaram, cometeram terrorismo de Estado. Na Itália, em pleno regime democrático, os terroristas, -- de esquerda e de direita--, praticaram crimes comuns (homicídios) : nenhum país civilizado considera delito de sangue crime político, se perpetrados num regime democrático.


Ao definir como crimes políticos os cometidos por Battisti (executor material de dois homicídios, partícipe de um ao dar cobertura, e mentor intelectual do quarto assassinato), o ministro Tarso Genro coloca no colo dos Brilhante Ustra da repressão-assassina, a tese de crime político. Certamente, os torturadores de Estado estão felizes com Tarso Genro.


De se acrescentar que a Itália nunca quis anistiar assassinos. No Brasil, a Lei de Anistia, elaborada pela ditadura militar, é enaltecida por Genro, que a aconselha para a Itália e pensa que ninguém vai descobrir, por aqui, seu canhestro conselho. Ao jornal Corriere della Sera, o senador Eduardo Suplicy esclareceu que o refúgio foi dado por termos da Anistia.


No particular, abro parêntese para transcrever uma conclusão do jornalista Mino Carta, publicada no seu blog: - “Como brasileiro, analiso a questão, e verifico que o Brasil dá asilo a um criminoso, terrorista ou não pouco importa, enquanto teme punir os torturadores do Terror do Estado a serviço da ditadura. Tarso Genro oferece ao mundo uma lição de ignorância, da história e da lei, que ofende quem não é ignorante".


--3. TARSO GENRO assassina Norberto Bobbio.

Depois de sustentar a concessão de refúgio político a Cesare Battisti no fato único de a Itália não ter condições de lhe garantir proteção à vida, Genro demonstrou que o seu conhecimento do Direito e de história caberiam folgadamente num dedal de costureira de falange curta.


Para fundamentar a sua decisão concessiva de refúgio político em que considerou a Itália uma Darfur (Sudão), Genro socorreu-se de um ensinamento de Norberto Bobbio, filósofo italiano morto em 2004 e chamado na França de o mestre do pensamento.


Bobbio vivia na Itália quando ocorreu, em 1969, o primeiro grande atentado que resultou em 17 mortes de civis inocentes e em mais de uma centena de feridos graves. A explosão com dinamite ocorreu em Milão, na pizza Fontana.


Genro não sabe ter Bobbio condenado o terrorismo ocorrido na piazza Fontana, em ataque ao estado democrático de Direito.


Ao ser citado por Genro, que também lhe dedica citações no seu blog, Bobbio deve ter dado pontapés na sepultura. Pelo que se nota, Genro tira de almanaques pensamentos soltos de Bobbio, ou seja, não conhece a obra.


Bobbio acompanhou e condenou a chamada “estação do terror” voltada à derrubada do estado Democrático e a frenar a ascensão do Partido Comunista Italiano (PCI), que se afastara da linha soviética e adquirira matriz própria, alicerçada no pluralismo político e na Democracia.


O mencionado jornalista Rocco Cotroneo, do Corriere della Sera, recuperou entrevista com Bobbio, depois da tragédia na piazza Fontana: -“ Sono forze politiche eversive che agiscono nell´ombra”, disse Bobbio ( “são forças políticas terroristas (eversivas) que agem na clandestinidade”).


PANO RÁPIDO. “À época do poema, 1977, o jovem advogado Tarso Genro era ativista do Partido Revolucionário Comunista e no Brasil existia a ditadura. Ele (Genro) era bastante informado para saber -- entre um verso erótico e outro-- o que eram os anos de chumbo na Itália democrática e a diferença com a clandestinidade que eram obrigados a se impôr os ativistas de esquerda perseguidos pelos militares”, escreveu, com propriedade, Rocco Cotroneo.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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