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CASO BATTISTI: A verdade factual. O samaritano senador Suplicy.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 2 de fevereiro de 2009. *por MINO CARTA.

Battisti.


VERDADE FACTUAL.

Alguém se queixa: neste blog só se debate o Caso Battisti. De verdade, temos é falado também de poesia, de uns tempos pra cá, e de literatura em geral.


Vale lembrar que, tempos atrás, anunciei a decisão de não mais escrever sobre a extradição negada. Observem, entretanto, como o assunto toca os navegantes e multiplica suas mensagens. E eu caio na esparrela, e respondo. É que sou, por natureza, inclinado à ilusão, e acredito na tal verdade factual aprendida com Hannah Arendt.


Também acredito na capacidade do gênero humano de aceitá-la, quando se apresenta de forma irretorquível. A suprema verdade factual é a morte. Aí pergunto aos meus céticos botões: como é possível que tantos companheiros de navegação não entendam porque o Estado italiano foi afrontado pela decisão do ministro Tarso?


O governo brasileiro diz que o julgamento de Battisti foi viciado, inclusive por causa da situação “radicalizada” na Itália nos anos 70.


O ministro da Justiça embasa seu argumento nas observações do professor Dallari, segundo quem na década em questão a Itália tinha um governo de extrema-direita. Além disso, o governo brasileira garante que, devolvido à Itália, Battisti corre até risco de vida. Qual é a verdade factual?


Nos anos 70 a Itália tinha um governo de centro, por meio de uma coligação da qual participavam também os socialistas. Os comunistas eram o segundo maior partido. O terrorismo, de diversos matizes, foi enfrentado sem o recurso a leis de exceção, o que foi considerado um grande exemplo de democracia em todo o mundo civilizado.


Battisti foi julgado à revelia porque foragido, a condenação não se valeu apenas da delação premiada de um ex-companheiro do réu, mas de depoimentos de várias testemunhas, algumas oculares.


A Corte de Direitos Humanos da União Européia (Estrasburdo) reconheceu que Battisti teve sempre defesa correta em todos os processos, na Itália e na França.


Segunda parte da questão: ao dizer que a Itália não garante a vida dos seus encarcerados é o mesmo que compará-la a Darfur.


A Itália tem uma Constituição entre as mais longevas do mundo, é uma democracia solidamente assentada desde o fim do fascismo, e nela vigora o Estado de Direito até limites que poucas outras nações alcançam. Estas são verdades factuais.


E que esperava o governo brasileiro? Que os italianos engolissem mansamente a afronta? Negar a verdade factual implica ignorância. Tanto mais grave se alimentada por mentiras.


2. O Samaritano Suplicy.


Comovedor o denodo com que o senador Eduardo Suplicy se empenha a favor de Cesare Battisti. Na noite de ontem tive um súbito ataque de choro ao pensar neste específico esforço senatorial.


Entre outros lances, é ele quem organiza entrevistas com o asilado, por ora ainda preso na prisão da Papuda, em Brasília.


A primeira foi dada à revista Istoé. Consta que a primazia concedida à publicação da Editora Três não agradou outros órgãos da mídia nativa e, inclusive, alienígena.


Há quem observe que advogado de Battisti, Greenhalgh, defende também Daniel Dantas em uma das suas muitas pendengas. Por sua vez, o banqueiro orelhudo seria sócio da Editora Três, e aí o círculo estaria gloriosamente fechado.


Eles que se entendam. Resta em cena, de todo modo, o grande samaritano, namorado da filha do professor Dalmo Dallari, o qual é vizinho de casa em Paris, a Ville Lumiere, da escritora Fred Vargas. E aí outro círculo se fecha.


Há dias trombeteavam que a primeira-dama da França, Carla Bruni (Fred alega ser sua grande amiga), apoiava a decisão do governo brasileiro em relação a Battisti.


Ocorre que não mais tarde de dia 25 passado, dona Carla compareceu ao programa de Fabio Fazio na televisão peninsular, e à pergunta “a senhora intercedeu a favor de Battisti junto ao presidente Lula durante sua recente visita ao Brasil?” repondeu com firmeza: “Trata-se de uma calúnia “. Em seguida, prestou solidariedade às famílias das pessoas assassinadas pelo nosso querido refugiado político. Às vezes, Suplicy e sua turma enganam-se.

Mino Cartla


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