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DROGAS: Phelps, águas turvadas pela maconha.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 2 de fevereiro de 2009.

Phelps, na foto do tabloide News of the World.



Uma punição exemplar ao campeão Michael Phelps, de 23 anos de idade, está sendo a bandeira erguida pelos adeptos da política proibicionista norte-americana.


Como se percebe, o moralismo, fundado numa banalidade, coloca-se a campo para tirar o brilho das 14 medalhas olímpicas conquistadas pelo campeão dos campeões das piscinas. A Phelps se atribui um “comportamento deplorável”, sem se perceber o exagero e a falta de bom-senso no trato com um jovem de 23 anos.


O motivo do furor proibicionista-moralista decorre da fotografia publicada ontem no tablóide britânico News of the World, tirada por uma câmara de telefone celular: ainda não se sabe por quanto foi vendida a fotografia.


Supracitada foto é do dia 6 de novembro passado, disparada quando de uma festa na University of South Carolina: Phesps tinha ido encontrar uma garata que havia tido um “flirt”, de nome Jordan Matthews.


A imagem divulgada mostra Phelps a puxar, por meio de um “bong” ( “narquilé”), fumaça que se presume canábica.


Os conservadores e os moralistas acreditam na política de criminalização do porte e uso de drogas. E na conseqüente imposição de sanções, como único mecanismo inibidor da demanda. Para eles, a ameaça de uma pena e a publicidade servem para manter os jovens afastados das drogas proibidas.


Esses adeptos da “war on drugas” (guerra às drogas), --que fingem esquecer o padrão do “american boy”--, pretendem que o comitê Olímpico norte-americano aplique sanção disciplinar em Phelps. E a pena máxima prevê quatro anos de afastamento das competições.


Os fundamentalistas da “war on drugs” falam em mau-exemplo e lembram ter Phelps, há quatro anos, passado uma noite na cadeia em face de haver sido surpreendido na direção de um automóvel com taxa alcoólica superior à permitida: ficou sem poder dirigir durante 18 meses e teve de participar de palestras preventivas nas escolas.


Segundo os seguidores da política proibicionista da “war on drugs”, o álcool é a passagem para a maconha. E esta para as drogas mais pesadas. Essas teses não são científicas e já foram contrariadas por estudos e pesquisas. No Brasil, são besteiras consagradas como verdadeiras.


A tese do afastamento de Phelps das piscinas é juridicamente insustentável.


Phelps não foi surpreendido por teste feito depois de uma competição. E a meta não era o uso para melhoras a performance: muitas vezes a maconha é usada como relaxante, para tirar a tensão da competição. Ocorre que o seu efeito tranqüilizante não é adequado a uma competição onde reflexo e velocidade são fundamentais. A propósito, o reflexo de Phelps levou-o a vencer em Pequim, por batida de mão, a medalha de ouro no nado borboleta.


A proibição esportiva está voltada a estabelecer uma “par condictio”, ou seja, uma igualdade entre os competidores. Phelps, em novembro, estava em férias das piscinas. Pelo jeito, os fundamentalistas do proibicionismo querem providências de um comitê que não tem poder fiscalizador da vida privada de atletas, fora das competições.


Criminalizar o uso de drogas ilícitas, com aplicação de sanção, acabou sendo a política adotada, por imposição norte-americana às Nações Unidas, na Convenção Única de Nova York, de 1961. Até hoje, essa convenção está em vigor. Dispensável qualquer comentário a respeito da sua falência.


Como para alterar uma convenção há necessidade de unanimidade, e não concordam com mudanças americanos, ingleses e chefes de estados teocráticos, a Convenção Única de Nova York continua em vigor.


Michael Phelps já está dando duro nas piscinas desde meados de janeiro. Ele mergulhou de cabeça no projeto traçado pelo seu treinador Bob Bowman, cuja meta final é voltar a brilhar nas olimpíadas de Londres, em 2012.


Em outras palavras, Phelps, de 23 anos de idade, voltou à rotina. E em pouco tempo vai recuperar a forma e perder os sete quilos ganhos depois de um merecido “stop”.


Pelo seu talento e dedicação espartana, cuja vida resumiu-se a nadar, comer, dormir e nadar, Phelps conquistou 14 medalhas de ouro, nas olimpíadas de Sidney de 2002 e de Pequim em 2008.


As oito medalhas de Pequim colocaram-no entre os heróis-perfeitos. Agora, quando tem atitude que o equipara a um comum “american boy”, que numa festa universitário dá baforadas canábicas, descobre-se o seu lado humano e se exagera na busca de uma punição, que se quer “exemplar”.


Os assessores de Phelps já se colocaram em campo e o orientaram a escrever uma carta-aberta, bem a gosto da hipocrisia existente na sociedade norte-americana. Na carta, Phelps pede desculpas pelo grave erro e promete que o episódio jamais vai se repetir.


PANO RÁPIDO. Desse episódio onde se quer demonizar o uso da maconha com base num deslize de notável atleta, já existe uma conseqüência visível. Os contratos de publicidade celebrados depois do sucesso em Pequim estão sendo revistos. Por exemplo: Phelps que já havia recebido uma boa-grana para estrelar uma campanha antidrogas do governo americano, foi dela afastado e deverá restituir os pagamentos antecipados.

-- Wálter Fanganiello Maierovitch--


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