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Holocausto. Nova investida lefebvriana: câmara de gás era para desinfetar, diz arcebispo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 30 de janeiro de 2009.

Ratzinger: olha para a direita, de onde vem o fogo-amigo.


Tem um ditado popular que diz o seguinte: “Se arrependimento matasse, aquele que perdoou estaria morto”.


Não sei se o ditado se aplica aos papas, que, conforme se proclama, são infalíveis nas questões de fé porque iluminados. Em outras questões são como nós, comuns mortais. Ou seja, erram e com grande repercussão.


O papa Bento XVI se não se arrependeu de ter levantado a excomunhão de quatro bispos lefebvrianos, da Fraternidade Pio X, já deve ter a certeza da precipitação.


Ontem, um dos contemplados, don Floriano Abrahamowicz, disse que as câmaras de gás serviam para desinfetar. E a sua postura anticristã não parou aí. Sustentou que o número de 6,0 milhões de hebreus exterminados é meramente simbólico, pois, quando se fala em genocídio, sempre há exageros.


Depois da repercussão negativa decorrente do levantamento da excomunhão, em especial do bispo lefebvriano Richard Williamso, que nega o Holocausto-Shoá, o papa Ratzinger condenou publicamente “ todo negacionismo” e voltou a falar de “irmãos” hebreus: João Paulo II havia excomungado os quatro lefebvrianos em 1988 e chamara os hebreus de “irmãos mais velhos”.


Como destaquei em post anterior, a diplomacia vaticana, depois do ato de levantamento da excomunhão na antevéspera do Dia Internacional da Memória do Holocausto, atuou como bombeiro na tentativa de apagar o incêndio causado por Ratzinger. Coube ao cardeal Walter Kasper escrever uma resposta à carta-protesto do Rabinato de Israel, com a seriedade que o momento reclamava.


Enquanto a diplomacia vaticana comemorava o sucesso da reaproximação e do fim do incidente, com a retomada, pelo Rabinato, das conversações bilaterais suspensas, um outro foco de incêndio apareceu ontem.


O novo foco de incêndio deve-se à divisão dos lefebvrianos. Uma ala virulenta, que aproveita da visibilidade pós levantamento da excomunhão, volta a atacar o papa Ratzinger e fala em “escandaloso erro ao ter o papa rezado numa mesquita islâmica”. Na segunda frente de ataque, o bispo Floriano Abrahamowicz, provoca os hebreus.


Em síntese, a ala lefebvriana radical apresenta-se como antissemita, pois considera impura as mesquitas islâmicas e nega os extermínios dos hebreus.


Só para lembrar, o bispo Williamson negou o Holocausto e afirmou que nenhum hebreu morreu em câmara de gás, para ele inexistes nos campos de concentração. Williamson atua na Argentina na formação de novos lefebvrianos, para a Fraternidade fundada em 1970 pelo falecido cardeal Marcel Lefebvre.


Agora, o bispo Floriano Abrahamowicz, até então desconhecido internacionalmente, parte para reforçar o ataque de Williamson. E Floriano é da comunidade lefebvriana da região nordeste da Itália, onde, separatistas, querem a “independência da Padânia” (região do Rio Pó) da Republica italiana. Os referidos separatistas se reúnem num partido político conhecido por Liga Norte, de perfil filo-fascista e que apóia, com os seus parlamentares, o governo direitsiata do premier Sílvio Berlusconi.


PANO RÁPIDO: se arrependimento matasse, como ensina a sabedoria popular, já estaria a ocorrer, no seio da Igreja católica, convocação para a capela Sistina e certa chaminé revisada para soltar uma fumaça branca.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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