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CASO BATTISTI: a estratégia do juiz Lalau.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 28 de janeiro de 2009.

Battisti

Luc Rosenzwig foi durante anos diretor de redação do jornal francês Le Monde. Ele deixou o Le Monde e o prestígio do cargo para virar escritor sucesso.


Quando Marina Petrella, por graves e comprovados problemas foi transferida do presídio para o hospital Sainte-Anne e depois teve, por razão humanitária, a extradição cancelada pelo presidente Sarkozy, o supracitado Luc Rosenzwig afirmou ser justo que fosse tratada da melhor maneira.


Para se ter idéia, - e repito o grafado em outros “posts” -, Petrella era alimentada por sonda e perdera quase 20 kg: suspeita-se de câncer. Sua filha mais velha, Elisa Novelli, foi às praças a pedir a reconsideração das decisões da Justiça francesa e de Sarkozy. Ambas autorizavam a imediata extradição de uma pessoa gravemente enferma.


A propósito, Elisa nascera na prisão italiana. Sua irmã Emma, de 11 anos de idade, na França, que acolheu Pretella com base na chamada doutrina Mitterand, jamais escrita.


À frente das manifestações em favor de Petrella estava Fred Vargas, escritora de sucesso e conhecida como a integrante da “esquerda do caviar” (gauche-caviar).


Fred Vargas teve o apoio das irmãs Bruni Tedeschi, a primeira-dama Carla e a irmã Valeria.


Vargas, Valéria, a famosa atriz Fanny Ardant e a primeira-dama Carla, conversaram com Sarkozy e, depois de telefonemas ao presidente italiano Georgio Napolitado —(questão de Estado é resolvida com o presidente da República e não, como pensam muitos, com o primeiro ministro, que é chefe-de-governo. O premier apenas é incumbido de formalizar o pedido de extradição)–, saiu a revogação da extradição, ,com a nota da excepcionalidade por questão humanitária.


Volto a Rosenzweig que, ao falar de Petrella, não esqueceu Battisti: para ele é dito na França que é uma vítima. Mas, ninguém dedica uma palavra ou pensamento às pessoas assassinadas pelo terrorista e às suas famílias.


Fred Vargas acaba de chegar ao Brasil.


Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada hoje, ela fala da sua preocupação com o estado de saúde de Battisti: fala-se em hepatite C, adquirida na França.


Na mesma página da Folha, o advogado de Battisti frisa sua preocupação com o agravamento do estado de saúde de Battisti, que está recebendo, em razão do seu estado, uma dieta especial.


O juiz apelidado de Lalau saiu da cadeia em ambulância, com depressão, alterações na pressão sanguínea, etc,etc. Do hospital, em face de ordem judicial, o chamado Lalau foi transferido para a sua aristocrática mansão no Morumbi. De lá, continua a batalhar, por meio de advogados de fora do Brasil, a obtenção de medidas que impeçam o bloqueio e o repatriamento de dinheiro de origem suspeita que enviou ilegalmente para fora do país.


Como o Brasil não tem hospital-penitenciário, o apelidado Lalau está preso na sua mansão e, evidentemente, não precisa corromper carcereiros para conseguir ter um celular.


Pimenta Neves, o jornalista assassino que matou por ciúmes a ex-namorada jornalista, ficou foragido e apareceu numa clínica médica, para tentar, por problemas de saúde, a revogação da prisão preventiva.


Não seria leviano em afirmar que Battisti está com a saúde perfeita: não tenho nenhum elemento e fala-se em hepatite adquirida na França. Apenas registro, em 40 anos de magistrado e de experiências internacionais, que a Justiça e a opinião pública devem ficar atentas para não caírem na tática conhecida, internacionalmente, como “Pressão pelas Lágrimas”.


Talvez a chegada da famosa escritora Fred Vargas - e ainda não se sabe o que Paulo Coelho pensa sobre o caso Battisti–, seja o contra-ponto à chamada do embaixador italiano, Michele Valensise, à Farnesina, sede do ministério de relações Exteriores da Itália, para conversas.


Daniela Santacché


A situação ainda piora quando a neofascista e a milionária Daniela Santacchè, candidata derrotada a premier, resolve dividir a bandeira favorável à extradição de Battisti com o Partido Democrático, de esquerda e oposição a Berlusconi.


Dizendo-se esquerdista italiana em entrevista à RAI3, Carla Bruni, no domingo passado (confira post abaixo) disse jamais ter intercedido em favor de Battisti e se disse solidária à família das vítimas assassinadas por Battisti.


Conhecida por Santacchè-fanculo, por ter alçado o punho com o dedo-médio esticado aos que a vaiavam em uma manifestação no centro de Milão, ela já está a arrumar as malas para tentar, no Brasil, empolgar com os seus discursos fascistas e o seu vulto rejuvenescido com base em cirurgia plástica e botox.


O partido da Refundação Comunista, que não conseguiu nenhuma cadeira no Parlamento nas últimas eleições e tinha o ex-presidente da Câmara (Bertinotti) como candidato a premier, embaraça-se com a sua postura pró-Battisti, uma vez que a opinião pública italiana não aceita o terrorismo. Ainda mais, as Novas Brigadas Vermelhas, nesta semana, prometeram voltar a matar: já mataram o líder D´Antona, incumbido do projeto de reforma das leis trabalhistas.


PANO RÁPIDO. Fred Vargas e Sancchè podiam nos poupar das suas visitas. E o que Paulo Coelho pensa a respeito (dá de 10 a zero na Vargas, em livros vendidos) ? ? ?
–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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