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Papa Bento XVI mais uma trapalhada: levantada excomunhão de bispo lefebvriano que nega Holocausto.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 27 de janeiro de 2009.


O papa Ratzinger acaba de vestir uma outra batina-justa, “griffada” pela falta de oportunidade e conveniência. E bem na chegada do Dia Internacional de Comemoração Anual em Memória das vítimas do Holocausto. A propósito, que digam os islâmicos, quando, em aula-magna, o professor Ratzinger ofendeu o profeta Maomé: alegou que falou como professor e não como papa.


Num ato de reconciliação com os fundamentalistas do bispo Marcel Lafebvre, falecido em 1991, resolveu Ratzinger, no dia 24 de janeiro, levantar a excomunhão de quatro bispos. Todos eles consagrados por Lefebvre, que não aceitavam as regras do Concílio Vaticano II e nas missas empregavam o rito tridentino, do papa Pio V.


Dentre os quatro bispos que tinham sido excomungados, encontra-se o britâncio Richard Williamson, que diz ser o holocausto uma invenção dos judeus. Não bastasse, ele nega a existência de câmaras de gás nazistas e reduz para 300 mil o número de judeus mortos na Segunda Guerra.


No final de semana, a Conferência episcopal da Alemanha entendeu “ inaceitável” a volta do “negacionista” Williamson, sem que fizesse um pronunciamento a reconsiderar as suas posições. O porta-voz da referida Conferência, o clérigo Matthias Kopp, transmitiu, pela rede pública de televisão da Alemanha, a reprovação dos religiosos alemães.


O representante da comunidade hebraica junto ao Vaticano emitiu uma nota, onde afirma que “A reabilitação é um ato interno da Igreja católica e sobre isso não queremos interferir, mas sobre o negacionismo temos muito a dizer pois o consideramos uma infâmia. Esperamos que com a Igreja católica isso seja apenas um momento de dificuldade e aguardamos por um gesto positivo”.


PANO RÁPIDO. Uma “reintegração” de ultraconservadores não surpreende.


O papa Ratzinger, desde o tempo que comandou a Propaganda Fede, antigo Tribunal da Inquisição, sempre foi um ferrenho opositor dos progressistas. A perseguição ao frei Leonardo Boff, que recebeu a sanção de silêncio obsequioso, é marcante. Até don Paulo Evaristo, um grande humanista, sofreu retaliações, em especial quando, por ato de João Paulo II apoiado em conclusão da Propaganda Fede, teve seu território de competência dividido, com o fim claro de reduzir o seu merecido prestígio.


Ratzinger, ao levantar a excomunhão dos lefrebvrianos, sabia, por evidente, de que Williamson estava no meio. Talvez tenha se aproveitado do massacre promovido por Israel em Gaza, com a opinião pública internacional indignada.


Só para lembrar, 27 de janeiro e o dia internacional da Memória. Ratzinger será lembrado, ao reconduzir um que nega o Holucausto. Lamentável.
Wálter Fanganiello Maierovitch.


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