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Caso Battisti: Carla Bruni detona o ex-terrorista Cesare Battisti

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 26 de janeiro de 2009.

Carla Bruni, durante a entrevista de ontem.


A primeira-dama da França, a ex-modelo e agora cantora Carla Bruni, teve um papel decisivo na deliberação do presidente Nicolas Sarkozy em não extraditar Marina Petrella, de 55 anos de idade, uma ex-terrorista filiada às Brigadas Vermelhas.


Petrella enfrenta um gravíssimo problema de saúde e, no hospital, o seu debilitado organismo passou a não aceitar alimentos, tudo em razão do trauma de ser descoberta e presa, bem como da decisão de Sarkozy em acolher, depois da manifestação favorável da Justiça, o pedido de sua extradição para a Itália.


Em 1993, Petrella fugiu para a França e desfrutou da doutrina do presidente François Mitterrand, que nunca ficou materializada em decreto, mas que subsistiu como uma tolerância a todos os que se comprometessem, na França, a abdicar da luta armada.


Pela Justiça italiana, depois de dois processos tramitarem por todas as instâncias, Petrella recebeu condenações (1) por participar do seqüestro e do assassinato de Aldo Moro, presidente e líder de centro-esquerda do partido da Democracia Cristã e (2) por um crime de homicídio consumado, um seqüestro de pessoa tentado e uma tentativa de homicídio.


Quando da condenação no caso Aldo Moro, em maio de 1993, Petrella estava em prisão domiciliar e fugiu para a França. Parêntese: sobre o caso Moro, é imperdível o premiado filme intutulado “Bom dia, noite”. No Brasil, só passou em algumas salas dedicadas a filmes de ponta, mas que não despertam interesse comercial.


Na França, Petrella teve uma filha, Elisa, que está com 24 anos de idade. O Tribunal de Versailles concedeu a extradição para a Itália em dezembro de 2007 e Petrella caiu na clandestinidade, sem deixar a França.


Um automóvel que lhe transportava, no início de 2008, foi parado numa barreira de fiscalização da polícia rodoviária. Identificada por consulta ao eletrônico de informações da Justiça, foi levada à prisão e logo transferida a um hospital em razão do seu precário estado de saúde. Como os franceses inventaram a telemática, suas polícias contam com informações on-line.


No mês de julho de 2008, o presidente Sarkozy assinou o ato de extradição de Petrella e, por pressão de Carla Bruni e da sua irmã Valeria Bruni Tedeschi, solicitou ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, a concessão de graça em seu favor. Tudo em razão do seu estado de saúde (falou-se em câncer-terminal).


Em razão do estado emocional de Petrella e de não se alimentar, as irmãs Bruni (carla e Valéria) conseguiram, junto a Sarkozy, uma reconsideração da sua decisão e, em outubro de 2008, a extradição foi suspensa, por razões humanitárias.


Por telefone e ofício, o presidente Sarkozy explicou ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, a sua decisão, dada, como frisou, apenas por questão humanitária e sem intenção de afrontar decisões da Justiça e do governo italiano.


Petrella, que nunca revelou qualquer arrependimento e teve participação no seqüestro e assassinato do ex-premier Aldo Moro, voltou a se alimentar depois da notícia e a sua filha Elisa, nascida na França, permanece a lhe dar assistência.


Diante do acontecido no episódio Petrella, --onde Carla Bruni pela sensibilidade com uma moribunda conquistou corações--, o jornal O Globo noticiou a sua interferência no caso Battisti, quando em visita ao Brasil, em dezembro de 2008.


Ontem a noite, Carla Bruni foi a entrevistada no canal televisivo RAI3. Depois de falar de a eleição de Obama ter sido um “evento histórico”, comparou, sem corar, à eleição do seu marido Sarkozy, em razão de uma inesperada reviravolta.


Não tardou a pergunta sobre a sua intervenção em favor de Battisti, junto ao governo brasileiro.


Bruna respondeu que “jamais desempenhou qualquer papel no caso Battisti”. Ainda ressaltou: “- Nunca defendi Battisti”.


Contou, também: “- Não me permitiria nunca interferir, não tenho a ideologia dele e estou contente de poder responder essa pergunta e, assim, deixar claro a minha posição perante os familiares das vítimas de Battisti”.


Para “La Bruni”, a concessão de refúgio político a Battisti foi uma decisão do governo brasileiro.


Indagada sobre o motivo de lhe terem atribuído um papel no caso Battisti, ela disse que “talvez pelo fato de ter feito uma viagem ao Brasil”.


PANO RÁPIDO. Carla Bruni já sabia que a pergunta seria feita.


Na Itália, todos sabem do motivo que a levou, nos anos de chumbo, a mudar com a família para Paris. Ou seja, Carla e a irmã Valeria afirmaram que a Itália estava impossível de se viver pela violenta atuação de grupos terroristas.


Ao se dirigir às famílias das vítimas de Battisti, deixou carla claro que jamais interferiria em favor de um assassino de tal calibre.


A propósito, Lula e Genro pensam diferentemente de Carla Bruni. Em nenhum momento, Lula e Genro pensaram nas famílias das vítimas de Battisti, preso na sede da célula comunista, com armas e munições, e condenado por várias provas a respeito de autoria e participação como mandantes em quatro homicídios.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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