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GAZA: Bastidores da Guerra.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 15 de janeiro de 2009.
Tzip Livini, ex-Mossad, é ministra de relações exteriores de Israel.

--1.Tzipi x Condoleeza: outra guerra.

A secretária de Estado americano Condoleezza Rice e Tzipi Livni, ministra de relações exteriores de Israel e ex-007 do Mossad, falavam, em 2008, do nascimento de uma amizade fraterna e eterna entre elas.


Em dezembro passado, Condoleeza ressaltou que ambas continuariam amigas depois que deixassem as funções: ela neste janeiro e Tzipi em fevereiro próximo. Quando tinha oportunidade em entrevistas, Tzipi frisava a sua admiração pela “determinação” de Condeleezza.
Pelo partido político fundado por Ariel Sharon, o Kadima, a ministra Tzipi pretende conquistar a cadeira do premier Ehud Olmert, acusado de corrupção ao tempo que era prefeito de Jerusalém. O premier, como não tem mais prestígio a perder, quer, como Tzipi, continuar a guerra na faixa de Gaza e impor uma fragorosa derrota ao Hamas. A propósito, Tzipi é autora da infeliz declaração que mortes de vítimas inocentes, numa guerra, representa acontecimento circunstancial.
Segunda pesquisa recém divulgada, 90% dos israelenses concordam com a guerra contra o Hamas e Tzipi conseguiu uma pequena melhora nos levantamentos de preferência, em face da eleição de fevereiro.


Como ainda perde para o candidato do direitista e extremado partido Likud (abrigava Sharaon antes dele fundar o Kadima), -- que prepara para o final de semana uma manifestação pública contra Livid, chamada de líder frágil e em quem não se pode confiar--, a ministra de relações exteriores sabe que jamais poderia ter saído derrotada no Conselho de Segurança da ONU. pela aprovação, com abstenção dos EUA, da resolução número 1860 do Conselho de Segurança da ONU.


A resolução 1860, votada em 9 de janeiro passado e a determinar um imediato cessar-fogo, abalou o Tzipi. Entre muros, Tzipi reclama por ter sido “apunhalada” por Condoleezza que, em cinco trocas de telefonemas, afirmara que trabalhava nos bastidores. Mais, em último caso, abortaria a resolução com o veto dos EUA.


Para a imprensa, Tzipi diz que não tem conversado com a secretária de Estado e, portanto, dela nada soube a respeito da opção pela abstenção. O que não conta é que, depois da votação do Conselho, Tzipi telefonou sete vezes a Condoleezza e não conseguiu falar.


Na pesquisa que será anunciada no próximo final de semana, todos apostam que Tzipi vai despencar, por conta do episódio da resolução 1860.


É a terceira vez que os EUA preferiram se abster e não usar do veto. As duas outras ocorreram em 1988, -- quando a resolução 611 condenou Israel pela morte do líder palestino Abu Jihad--, e em 2002, quando a resolução 1435 censurou o governo de Sharon por ter cercado e isolado militarmente a sede da Autoridade Nacional Palestina, com Yasser Arafat dentro.


Referida pesquisa eleitoral deverá indicar aumento no prestígio do ministro da defesa, Ehud Barak, também candidato a chefe de governo, pelo partido Trabalhista. Ele relutou em partir para uma guerra ampla, como desejavam Tzipi e o primeiro-ministro Olmert. Sua posição era de bombardear os túneis de Rafah (roteira com o Egito) por onde passam os armamentos destinados ao Hamas e, na linha de fronteira, os locais de lançamentos dos artesanais foguetes “qassan”, de reduzido raio de alcance.


Em nota enviada depois de divulgado o teor da resolução número 1860, o líder partido Trabalhista no parlamento ironizou com Tzipi: “ Congratulo-me com a colega Tzipi Livni pelo falimento dos esforços diplomáticos”.


Por ter formação de 007, Tzipi não se conforma com a traição de Condoleezza.


--2. Ismail Haniyeh: fui. . .

Até o final da noite de ontem, o Mossad ainda não havia encontrado sinais de Ismail Haniyeh, primeiro-ministro de fato na faixa de Gaza desde junho de 2007. Com a intensificação dos bombardeios, o radical Ismail Hanieyeh Hamas, que acumula funções políticas e religiosas, foi aconselhado a se esconder num bunker e deixar o comando nas mãos de Ahmed Jaabar, chefe do estado maior do exército fundamentalista.


Hanieyeh e Ahmed obedecem as ordens de Khaled Meshaal, chefe político do Hamas e que vive em Damasco, há anos.


--3. Tony Blair: busca do tempo perdido.

O ex-premier Tony Blair manteve as suas férias até 3 de janeiro, quando a guerra na faixa de Gaza entrava no oitavo dia e a mídia já anunciava centenas de vítimas.


Depois de deixar o cargo, arrumou-se uma sinecura para Blair, que virou uma espécie de articulador em casos de conflitos, autorizado pela União Européia, ONU, Rússia e EUA.


Perguntado por onde andava Blair em face da guerra em Gaza, o seu sucessor no cargo de premier britâncico, Gordon Brown, respondeu ironicamente que gozava férias. Os tablóides britânicos aproveitaram para informar que Blair, em plena guerra, aproveitou as férias para fazer compras em famosas lojas que, no final de ano, promovem imperdíveis liquidações. Por exemplo, a famosa Armani abriu um dia antes do início da liquidação, só para receber Blair.


No momento, Blair, que já fez seus encontros pós 3 de janeiro com os chefes de governos árabes aliados, dedica-se a transmitir otimismo quanto ao cessar fogo na faixa de Gaza.


Com a entrada em cena de Barack Obama, o sorridente Blair sabe que não poderá aspirar protagonismos. Outro que se afastará da cena srá o presidente francês Nicolas Sarkozy.


--4. Soldados israelenses condenados.

Os generais israelenses demoraram em autorizar os seus oficiais a informar à tropa sobre a condenação dos soldados que se negaram a participar da guerra, por considerá-la injusta.


Cada soldado recebeu a pena disciplinar de 14 dias de prisão. O atraso deveu-se ao temor de reações internacionais de apoio aos soldados dados como insubordinados;


Para rematar, ontem ingressou na faixa de Gaza a primeira leva de reservistas recém-adestrados.

-- Wálter Fanganiello Maierovitch--


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