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Poder de Fogo do Hamas é de 3 meses. Os 007 e a guerra de Gaza.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 12 de janeiro de 2008.


Três meses. Para os 007 dos serviços de espionagem europeus e norte-americanos, o Hamas armazenou quantidade de foguetes Qassan (nome dado em homenagem a um líder palestino dos anos 30) suficiente para sustentar três meses de lançamentos contínuos.


A estocagem foi feita para a hipótese de Israel aceitar a provocação do Hamas. Provocação, como sabido, que consistiu no disparo de foguetes “qassan” em território israelense, isto logo depois do término do cessar-fogo de seis meses, conseguido por intermediação do Egito.


Como Israel caiu na provocação, --a repetir o erro ocorrido em 2006 com relação ao Hezbollah--, e partiu para a guerra em 27 de dezembro passado, o desafio de agora para o Hamas é manter um fluxo de entrada de foguetes, para não zerar o estoque.


Relatórios reservados revelam que os foguetes e mísseis em estoque do Hamas foram introduzidos na faixa de Gaza por mar e terra.


Pelo mar, o transporte até Gaza realizou-se por meio de embarcações carregadas no Sudão. Via terrestre, os armamentos ingressaram em Gaza por túneis cavados na fronteira com o Egito (Raffah). Quanto aos artesanais e ingovernáveis “qassan”, teriam sido fabricados na Síria, no Irã e no Sudão.


As informações recolhidas e trocadas entre os 007 do Ocidente mostram que a eliminação de Amir Mansi, responsável pela célula do Hamas encarregada de realizar os lançamentos de “qassan” contra Israel, não impediu, até o momento, o prosseguimento das atividades de lançamentos.


No final de semana, o jornal libanês Al Akhbar noticiou que o exército do Hamas (cerca de 20 mil homens) foi treinado por Imad Mughniyeh. Ele era o comandante militar do Hezbollah e acabou morto, em 12 de fevereiro de 2008, numa explosão em Damasco, poucos passos de distância do escritório central do serviço de espionagem da Síria.


Internamente, Imad Mughniyeh disputava poder e fazia oposição a Hassan Nasrallah, líder político do Hezbollah. Para Imad Mughnieyeh, cabia-lhe fazer a guerra na linha de frente, mas os méritos eram recolhidos por Nasrallah, líder político que só pegava em armas, segundo Mughniyeh, para tirar fotografias: abaixo deste post, confira uma retrospectiva sobre Imad Mughnieh.


Os 007 ocidentais receberam com reserva a matéria do jornal libanês Al Akhabar. Para os espiões, Imad Mughnieyh treinou apenas os palestinos enviados pelo Hamas à Síria. O Hamas também enviou palestinos para adestramento militar no Líbano e no Irã.


Ontem, em Gaza, Israel avisou sobre o breve inicio da terceira fase da operação Chumbo Certeiro (tradução livre), que, segundo os generais israelense, terá quatro fases.


A terceira fase foi precedida, no domingo, de anuncio contido em panfletos jogados por aviões. O objetivo era avisar os civis palestinos. O teor desse aviso é o seguinte: “Os bombardeamentos serão intensificados. Não estamos, em Gaza, para combater a população palestina, mas as milícias do Hamas. Sigam as nossas orientações para terem segurança. Fiquem longe dos soldados do Hamas e não os ajudem. Se estiverem vizinhos a eles, mudem de lugar”.


Essa terceira fase, pelo vazado até agora, consistirá no ingresso de soldados e ocupação do centro das cidades de grande concentração demográfica, em especial na chamada Gaza City: tanques de Israel alcançaram, ontem, a periferia agrícola de Gaza City.


Pelo que se especula, a dita quarta fase representaria a ocupação e o controle em toda a faixa de Gaza, o que é negado pelo premier israelense.


O desmoralizado premier, ----acusado em processo criminal de corrupção e dado pela população como co-responsável pelo insucesso nos 34 dias de guerra contra o Hezbollah em 2006 (oficialmente, apenas os generais foram apontados como culpados pelo fracasso)---- , é um “faz-tudo” do ordenado pela ministra de relações exteriores, Tzipi Livni (partido Kadima), e pelo ministro da defesa Ehud Barak (partido Trabalhista).


Todos os serviços de inteligência do Ocidente já concluíram que o Hamas aposta no “quanto pior para a população palestina, melhor para os seus objetivos”. A mesma filosofia foi empregada em 2006, com sucesso, pelo Hezbollah, pois os civis, no final do conflito, culparam Israel pelas tragédias e glorificaram o Hezbollah.


O indicativo da conclusão dos 007 está no fato de o Hamas, embora inferiorizado, não ter aceitado a resolução 1860 do Conselho de Segurança da ONU (cessar-fogo imediato) e nem a proposta conjunta formulada pela França e Egito. Referida resolução de número 1860 também não foi aceita por Israel, que, desta vez, no Conselho, não contou com o veto dos EUA: houve apenas abstenção dos EUA. Fato raro, ocorrido, até agora, em duas ocasiões. Uma delas foi quando Ariel Sharon mandou cercar a sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP), com Yasser Araf dentro e incomunicável.


Por seu turno, o governo israelense, com objetivos eleitorais, continua a miopemente com ações militarizadas amplas, a tentar liquidar com o Hamas, ainda que continue Israel a perpetrar crimes contra a humanidade: no balanço divulgado no sábado, morreram em razão da ofensiva de Israel 854 palestinos, sendo 270 crianças e 98 mulheres não combatentes.


A propósito, interessa aos ministros Tzip Livi (relações exteriores) e Ehud Barack (defesa), ambos aspirantes à cadeira de premier, a visão-curta de que Israel reage a uma provocação, caracterizada pelo lançamento de foguetes-explosivos no seu território.


A ambos não convém enxergar mais longe e constatar que a ocupação de Israel e os seus mecanismos rígidos de controle já completaram 41 anos (guerra de 1967). Mais, quando Israel combatia o Fatah, o seu governo dava força para o Hamas, para conseguir reduzir o prestígio da principal força palestina de então. Em síntese, ajudaram a criar o monstro.


Não se deve esquecer dos 11 mil palestinos que estão presos em cárceres de Israel. Os presos são considerados terroristas, combatentes irregulares e isto a fim de não se aplicar a convenção da ONU sobre prisioneiros de guerra.




As tentativas diplomáticas para se colocar fim no conflito na faixa de Gaza iniciado em 27 de dezembro passado, até o momento, caíram no vazio.


A esperança fica por conta de Barack Obama, que tomará posse no próximo 20 de janeiro e, no domingo, anunciou a criação de um grupo especial para enfrentar a questão : vide, abaixo, o “post” inserido no domingo, com a fala de Obama.


O líder do Hamas, Khaled Meshall, que vive na Síria, acabou de dar o seu aviso: - “Até que Israel não cesse as agressões em Gaza, não haverá acordo”.


Do lado de Israel, Livni insiste: - “ Antes de dar por encerrada a operação Chumbo Certeiro (tradução-livre), desejamos alcançar os nossos objetivos. Não queremos que se chegue a uma solução a permitir um futuro rearmamento do Hamas”.


A possibilidade de envio de uma força internacional de paz, como sucedeu no Líbano ( missão Unifil), não empolga. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, não aceita nenhum “peacekeeper” na sua fronteira e frisa que o seu exército tem condições de evitar a passagem de armas para a faixa de Gaza. Mas, não demonstrou isso, até agora. E os túneis em Rafah (fronteira com o Egito), por onde entram armamentos, alimentos, medicamentos, etc, mostram que as tropas egípcias não se empenharam o suficiente.


PANO RÁPIDO. Um cessar fogo só interessa ao Hamas se puder “cantar” vitória ou se sentir na iminência de ser massacrado. Cantar vitória, como já fez o Hezbollah, é tudo que que não interessa para a coalizão Katima-Trabalhistas, desejosa de conquistar o eleitorado e reverter a tendência favorável ao Likud. Este, um partido fundamentalista, adepto de soluções bélicas. Tudo como fazia Ariel Sharon quando membro do Likud: Sharon, fundou, posteriormente, o Kadina e mudou o seu entendimento. Por exemplo, promoveu a retirada de 8 mil colonos israelenses que se apropriaram, com aval do governo, da faixa de Gaza.
--Wálter Fanganiello Maierovitch-- ...................

Retrospectiva sobre Imad Mughnieh . Para se ter idéia, Mughniyeh atacou, -- em outubro de 1983 e em Beirute, o contingente formado por soldados franceses e norte-americanos, com 250 mortos. Um ano antes, ou seja, em 1982 bombardeou a embaixada norte-americana, com 63 mortos.

Mughniyeh é apontado como o comandante, em Buenos Aires , nos anos de 1992 e de 19944, dos atentados à embaixada de Israel e à sociedade beneficiente Amia, a provocar quase cem mortos.

Para os serviços Ocidentais de inteligência, Mughniyeh foi, com retaguarda da Síria, o responsável pelo assassinato do premier Rafic Hariri, consumado há três anos, em fevereiro.

Apelidado de raposa (tha´lab) por sempre conseguir fugir, Mughnieyh, que se dizia estar entre 46 e os 49 anos de idade, introduziu, no Oriente Médio, o uso d camicases, em ataques terroristas.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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