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MÁFIA: Riina Junior, filho do superboss da Cosa Nostra, condenado e preso.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 10 de janeiro de 2009.

Riina Júnior, no cárcere de Sulmona, no Abruzzo.



Como no Brasil, os processos criminais italianos têm tramitação lenta. Ou seja, demoram para chegar ao fim. Ritmo de lesma? Não é bem o caso. Mas, se existisse lesma reumática, seria essa a velocidade.


Um exemplo. Certa vez, uma jornalista foi acusada de portar um resto de cigarro de maconha, na bolsa. Depois de 10 anos de tramitação processual, acabou absolvida. No exercício do seu direito de cidadã da comunidade européia, a supracitada jornalista bateu à porta da Corte Européia de Direitos Humanos de Estrasburgo (França). Resultado: a Itália foi, rapidamente, condenada a indenizá-la pela demora processual.


Em síntese, houve, por parte da Justiça, que é monopólio do estado, atraso na resposta a uma acusação. A demora, segundo a Corte, gerou aflições e incômodos de toda ordem, reparável por indenização pecuniária.


Aqui no Brasil, como lá na península que tem formato de bota, o excesso de prazo na conclusão de um processo criminal acarreta a soltura do acusado.


Em dezembro de 2007, Giuseppe Salvatore Riina, o caçula dos filhos do supercapo Totó Riina, teve a condenação de primeiro grau confirmada em sede de apelação.


A propósito, condenação por associação mafiosa, com pena fixada em 8 anos e 10 meses de reclusão. Houve expedição de ordem de prisão e Riina Júnior, de 27 anos de idade, permanceu encarcerado no presídio Sulmona, no Abruzzo. Evidentemente, Riina Júnior recorreu.


No mês de fevereiro de 2008, a Corte da Liberdade, que julga pedidos de soltura, determinou a colocação em liberdade de Riina Jr por excesso de prazo. Ele estava preso provisoriamente desde o início do processo criminal.


Com efeito. Ontem, a Corte de Cassação (equivale ao nosso Supremo Tribunal Federal) confirmou a condenação de Riina Júnior por associação mafiosa e manteve a pena de 8 anos e 10 meses de reclusão.


Morador na cidade siciliana de Corleone, berço dos maiores chefes da Máfia, Riina Júnior foi preso hoje cedo e levado ao famoso cárcere Ucciardone, de Palermo. Deverá ser transferido, em breve, para presídio de segurança máxima, que custodia mafiosos.


Riina Júnior, por decisão da Justiça, não será removido para o mesmo presídio onde se encontra o pai e o tio Leoluca Bagarella. Nesta semana, permanecerá no Ucciardone, que já chegou a abrigar o seu pai. E pelas facilidades então existentes, os palermitanos passaram a chamá-lo de Hotel da Máfia.


No Ucciardone, desde o final dos anos 90 e pela reforma do código penitenciário (o Brasil não tem código penitenciário), os mafiosos ficam apenas quando em trânsito, por poucos dias.


PANO RÁPIDO. Cesare Lombroso, em livro sobre antropologia criminal intitulado "O Homem Delinqüente", sustentou a tese do criminoso nato, hoje totalmente superada. À luz do caso Riina Júnior, resta o dito popular: - Quem sai os seus, não degenera.


A mãe de Riina Jr, Ninetta Bagarella, foi a primeira mulher condenada por associação mafiosa. O pai Totó, dispensa comentários: confira o "post" que inaugurou este blog. O seu tio, Leoluca Bagarella, também de Corleone, era o “ministro da Guerra” da Máfia e comandou os bombardeamentos em Roma, Milão e Florença, quando, em 1993, a Cosa Nostra decretou guerra contra o estado-italiano.
--Wálter Fanganiello Maierovitch—


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