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Gaza, palco de uma guerra sem fim: Amos Oz, Benny Morris, Tzipi Livni (foto) e outras reações.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de dezembro de 2008.

tanques israelenses estacionados na fronteira com Gaza.

O historiador israelense Benny Morris goza de grande prestígio na Europa e os seus livros, (1) “Vítimas-história do conflito árabe-sionista de 1881 a 2001”, (2) “Mossad”, (3) “The Birth of the Palestinian Refugee Problem”, obtiveram grande sucesso em vendas. Benny Morris, de 60 anos de idade, é professor de história na Universidade Bem-Gurian, de Israel.


Para o historiador, Israel enfrenta, --muito antes dos ataques contra Gaza iniciados no sábado 27--, ameaças terrificantes, a saber, num breve resumo dos seus últimos escritos e entrevistas concedidas:
--1. Internamente e no campo demográfico, a taxa de nascimentos de árabes que vivem em Israel está entre as maiores do mundo.


O historiador, certamente, parte de quadro populacional real e faz projeções. Ou seja, 92% da população de Israel se concentra nos centros urbanos. Os israelenses representam 80% dessa população e os restantes 20% são de árabes.


Segundo Benny Morris, os árabes têm de 4 a 5 filhos por família, ao passo que os hebreus possuem de 2 a 3. Nesse ritmo e entre 2040 e 2050, os árabes serão maioria dentro do território de Israel. Mais, em 5 ou até 10 anos, os árabes, consideradas a faixa de Gaza e a Cisjordânia, estarão em maioria, em toda a região.


--2. Na vertente do leste geográfico, o Irã continua a apressar a conclusão do seu programa nuclear, como revelam os serviços de espionagem do Ocidente e o Mossad israelense. Embora o presidente iraniano diga tratar-se de programa pacífico, frisa Benny Morris, tal programa nuclear está voltado à produção de armas atômicas. E o presidente iraniano Ahmadinejad não só nega o holocausto, mas prega a destruição do estado de Israel.


--3. No lado norte, Israel enfrenta o problema dos fundamentalistas xiitas do Hezbollah, que pregam a destruição de Israel e dos judeus.


Depois do fracasso de Israel em 2006, quando caiu numa armadilha provocatória do Hezbollah ao seqüestrar o soldado Shalit (ainda nas mãos dessa organização libanesa, os extremistas, sempre consoante afirma Benny Morris, conseguiram, graças a auxílio da Síria e do Irã, multiplicar o poderio bélico.


--4. A fronteira sul de Israel é marcada pelos conflitos com o Hamas, na faixa de Gaza. E a guerra deflagrada no último sábado por Israel decorreu, depois de expirar o cessar fogo de 6 meses acertado graças à intermediação do Egito, dos foquetes “Qassan”, de produção artesanal, disparados pelos membros e simpatizantes do Hamas contra território de Israel.


Segundo Benny Morris, a vida no sul de Israel poderá, em face do conflito, tornar-se intolerável. Além dos rudimentares e imprecisos “Qassan” ( o foquete leva o nome de um líder palestino dos anos 30), o Hamas conta com os mísseis russos Katyusha e Grad. Esses mísseis são suficientes para disseminar pavor e causar permanente estado de tensão nos habitantes da região de fronteira.


Livni: ministra de relações Exteriores.


Escreveu Benny Morris que o Hamas possui um exército de milhões de homens e os equipamentos bélicos ingressam em território palestino por túneis cavados a partir do Egito, a alcançar as cidades de Ashkelon, Ashod, Kiryat-Gat e os subúrbios de Beersheba.


O quadro pintado pelo historiador Benny Morris mostra-se dramático e o otimismo dos comandantes do Tsahal (exército de Israel), que asseguram ter destruído quase todos os túneis usados para a remessa de armas ao Hamas, não melhoram o quadro geopolítico.


Os líderes radicais procuram grudar no presidente do Egito, Osny Mubarak, e nos chefes de estado da Arábia Saudita e Jordânia, a imagem de traidores da causa árabe, em face de colaborações com os EUA e Israel. Em síntese, os líderes moderados, pós os ataques de sábado e domingo passados, viraram objeto de campanha difamatória, que atinge, evidentemente, o presidente da Autoridade Palestina, Abu Mazen, que, pressionado, suspendeu, hoje, as negociações de paz com Israel.


O famoso escritor israelense Amos Oz, de 69 anos e professor de literatura na Uniersidade Bem Gurion, clama por um imediato cessar fogo e alerta para não se renunciar à esperança de paz.


Amos Oz, autor de livros de sucesso como “Contra o Fanatismo”, “A Vida faz rima com a Morte”, sustenta que o conflito entre israelenses e palestinos não é religioso e nem cultural. Ele decorre de uma controvérsia pela posse de terras e isto, na sua visão, deve ser solucionado por acordos.


Enquanto as incertezas preocupam os intelectuais israelenses de esquerda, a ministra de relações exteriores, Tzipi Livni, ex-agente do Mossad e aspirante à cadeira de premier por ocasião das eleições marcadas para fevereiro, acha que, com os ataques e bombardeios à faixa de Gaza, o Kadina, seu partido, conseguiu mudar o quadro político, que apontava para uma vitória do direitista Likud. Numa pesquisa por rede de televisão, 82% dos israelenses apóiam os ataques na faixa de Gaza, iniciados no sábado passado. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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