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Holocausto em Gaza. Shoá dos Palestinos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de dezembro de 2008.

Gaza: 28 de dezembro de 2008



Ontem, em Paris e Londres, centenas de manifestantes, em repúdio aos dois dias de bombardeios e aos massacres promovidos por Israel na faixa de Gaza, carregaram cartazes grafados com os termos Shoá e Holocausto.


Para o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, ocorreram, em dois dias de ataques (27 e 28 de dezembro), 400 mortes. E mais de mil palestinos teriam saído feridos em face dos bombardeios.


A operação aérea deflagrada por Israel tinha por meta 240 alvos, entre quartéis do Hamas, paióis com munições e túneis usados para o ingresso, via Egito, de armamentos, munições e mísseis “katiusha” e “grad”, fabricados na Rússia. Por previsíveis erros, foram atingidos, durante os dois dias de ataques aéreos, centros habitados palestinos, a causar mais de 250 mortos só no primeiro dia.


Para se ter idéia, a faixa de Gaza conta com 1,5 milhões de habitantes. A densidade é uma das mais altas do planeta, ou seja, 4.200 pessoas por quilômetro quadrado. Referida faixa de Gaza, entre Egito e Israel, conta com 360 quilômetros quadrados de superfície.


Não é certa, ainda, opte Israel por invasão terrestre, de modo a ocupar a faixa de Gaza. Os militares israelenses sabem das dificuldades e dos custos financeiros elevados de uma ocupação territorial. A propósito, a derrota para o Hezbollah em 2006 foi atribuída a duração longa da operação militar.


No domingo 28, especialistas europeus não descartavam a hipótese de poder o o conflito da faixa de Gaza se estender para a fronteira com o Líbano. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, pediu, depois de se solidarizar com o Hamas, para que as suas milícias ficassem atentas. Isto porque Israel teria posicionado, na quinta feira passada, oito lançadores de mísseis no sul do Líbano. Eles estariam apontados para Israel e isto para servir de pretexto justificador de um ataque aéreo, sob alegação de legítima defesa.


Para hoje, Nasrallah convocou uma grande passeata em solidariedade e memória aos chamados “mártires palestinos”. O local da concentração será na periferia oriental de Beirute.


O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, um dos pré-candidatos ao cargo de premier nas eleições de fevereiro, declarou que as “forças armadas estão prontas para defender os cidadãos de Israel. O desmoralizado premier Ehud Olmert, por sua vez, justificou a operação militar como necessária para garantir a tranqüilidade aos habitantes do sul de Israel, há anos sujeitos a incessantes ataques de terroristas armados de foquetes: Olmert mantém-se como premier pois uma dissolução do Parlamento levaria ao poder Benjamin Netanyahu, ex-premier e líder direitista Likud.


Embora atingidas por pesados ataques, as milícias do Hamas promoveram, no domingo, ataques contra Israel, com foquetes qassan (de construção artesanal, sem precisão e alcance de até 10 km) e os potentes mísseis Grad, de fabricação russa (alcance de mais de 40 km). Sem causar vítimas, os mísseis Grad alcançaram a região portuária de Ashdod (cerca de 30 km de distância de Gaza) e Beer Sheva (cidade do Neghev com 200 mil habitantes).


Os dirigentes do Hamas acusam o Egito e Abu Mazen, presidente da Autoridade Nacional Palestina. O Egito por ter recebido a visita de Tzipi Livni, ministra de relações Exteriores, ex-agente do Mossad e candidata a premier na referida eleição de fevereiro. Ela teria ido comunicar a operação de bombardeamento e o Egito não teria reagido.


Mais ainda, depois da visita de Livni, o Egito acabou fechando a via de comunicação com Gaza, no chamado vale do Rafah: em 23 de janeiro de 2008, cerca de 700 mil palestinos, em face do bloqueio de Israel, invadiram o Egito pelo vale do Rafah, em busca de alimentos.


Ontem, no vale do Rafah um policial egípcio foi morto por um miliciano do Hamas. O miliciano ficou inconformado ao saber que apenas pessoas doentes e feridas poderiam ingressar em território do Egito, isto para serem transportadas aos hospitais.


Acusado, Abu Mazen, que se encontra no Cairo, declarou ser contrário à hostilidade de Israel. Frisou, no entanto, que procura convencer os líderes do Hamas a aceitarem um acordo de paz, pois a trégua foi injustificadamente rompida, aproveitado o fato de ter expirado o prazo de 19 de dezembro último: desde junho de 2002 o Hamas controla e governa a faixa de Gaza, depois de expulsar facções do Fatha, braço militar e de sustentação a Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina (ANP).


Como se percebe, o premier Olmert e os ministros da Defesa e relações Exteriores podem ter colocado em Israel uma camisa-de-sete-varas, com imprevisíveis reações. Espera-se, para breve, a palavra de Barack Obama. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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