São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Israel ataques desumanos, ilegítimos e irracionais.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de dezembro de 2008.

Gaza, pós bonbardeio.

A desproporcional reação de Israel contra a população palestina derruba qualquer tese de legítima defesa e ingressa no terreno do desumano e do irracional. O alvo não se limitou apenas aos provocadores do Hamas, mas civis, crianças, mulheres, idosos e s comuns do povo, residentes na faixa de Gaza.


Ao assumir o risco de atingir civis inocentes, matar mais de 250 palestinos e ferir centenas de pessoas nas suas casas e nas ruas, Israel cometeu continuados crimes contra a humanidade.


Nos três dias que antecederam o ataque de Israel na faixa de Gaza, os palestinos vinculados ao Hamas arremessaram 110 foguetes Qassan: o qassam é um foguete artesanal, sem precisão e que leva o nome do seu inventor, um antigo chefe palestino dos anos 30.


De 2002 até agora, foram lançados contra Israel mais de três mil foquetes qassan. Eles têm raio de ação que varia de 3 a 10 km e a carga explosiva varia de 05 a 10 kg. Cerca de 20 israelenses morreram em razão desses supracitados ataques como foquetes qassan.


As chamadas brigadas Al-Kassan, por exemplo, especializaram-se a essa atividade provocatória e intensificaram os ataques aos assentamentos israelenses localizados na região de fronteira, tudo após a trégua de seis meses, intermediada pelo Egito, e cujo prazo expirou no dia 19 passado.


Na última sexta-feira 26, um disparo com qassam caiu na própria faixa de Gaza. Matou duas crianças palestinas que se encontravam dentro de casa: Hanin Abu Khossa, de 5 anos, e a sua prima Sabah Abu Khossa, de 12 anos.


Os ataques israelenses, pelo ventilado pelos 007 das agências de inteligência européis e norte-americanos, resultaram de pressões feitas pelos ministros Tzipi Livni, ex-agente do serviço secreto Mossad, e do general Ehud Barak. Ambos são candidatos à sucessão do premier Ehud Olmert, ex-prefeito de Jerusalém e envolvido em acusações de corrupção.


Olmert ainda não deixou o cargo para evitar, em face de eleições antecipadas, uma substituição pelo radical Benjamin Netanyahu, ex-premier e dos quadros do partido direitista (conservador) Likud.


Nas pesquisas de opinião na primeira quinzena de dezembro, Tzipi Livni e Ehud Barak perdiam em preferência para Netanyahu que prega medidas pesadas contra os palestinos que atacam na faixa de Gaza. Com os ataques iniciados no sábado passado, Livni e Barak tentam conquistar eleitores. Quando se posicionou pelo ataque e esteve, na semana passada, no Egito para reclamar dos ataques do Hamas com foquetes qassam, Livni subiu nas pesquisas.


Um ataque com motivação eleitoreira, poderá, no entanto, causar efeito contrário, pois as respostas do Hamas e os seus apoiadores, em especial o Hezbollah libanês, poderão resultar em tragédias. Em 2006, Israel experimentou uma surpreendente derrota quando, para reagir ao seqüestro do soldado Shalit, atacou o Hezbolah.


Segundo analistas, uma das reações poderá ser a morte do soldado Shalit, ainda em mãos do Hezbollah.


Por outro lado, o Hezbolah, chamado de irmão gêmeo do também xiita Hamas, possui, depois do embate de 2006, o dobro em mísseis, munições e variados armamentos. Pelos cálculos, são de 30 a 40 mil mísseis de fabricação russa (katyusha e grad), fornecidos pelo Irã e pela Síria. Muitos desses mísseis poderão atingir as cidades de Tel Aviv e Dimona.


Outro dado, a minoria árabe residente em Israel, cerca de 1,3 milhões, já promove protestos contra o governo e os ataques desproporcionais à faixa de Gaza. Mais, apresentaram, pelos seus líderes no Parlamento, reprovação quando ao isolamento de Gaza, onde até ajuda humanitária é impedida de chegar. A propósito, tal pressão interna e internacional levou o governo do desprestigiado premier israelense, na quinta e sexta passadas, a permitir a passagem de 106 caminhões com remédios, alimentos, óleo para mover a central elétrica e botijões de gás de cozinha.


PANO RÁPIDO. A desproporcional e desumana atuação de Israel causa repulsa e serve para explicar a razão da não adesão ao Tribunal Penal Internacional, que tem competência para julgar os crimes contra a humanidade. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet