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TERROR: Al Qaeda provoca Obama.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF,15 de dezembro de 2008.

Zawahiri: o cyberterrorismo.


Não há necessidade de muito esforço para perceber o quanto a Al-Qaeda espalha armadilhas para Barack Obama tropeçar antes de ocupar a Casa Branca.


O grupo utiliza o ciberterrorismo e apóia atentados explosivos e sangrentos mediante ações perpetradas por diferentes organizações ligadas à sua rede planetária.


Pelas infovias que chegam a uma miríade de sites multiplicadores do radicalismo islâmico são difundidas mensagens e o protagonista é o ideólogo egípcio Ayman al-Zawahiri, segundo na hierarquia al-qaedista.


A grande meta é grudar em Obama a imagem da arrogância norte-americana, esta bem visível em Bush. A tarefa al-qaedista não é fácil. Obama teve quase a totalidade dos votos da comunidade afro-americana, é filho de africano islâmico, irradia simpatia e a sua eleição agradou à maioria dos muçulmanos.


A primeira provocação está no último vídeo al-qaedista que circulou pela internet logo depois da histórica eleição de Obama. O provocador Al-Zawahiri tirou do baú um antigo e superado discurso do líder afro-americano Malcolm X, que faleceu alinhado ao posicionamento de Martin Luther King.
Al-Zawahiri tipificou Obama como um “negro das casas” (house’s slave). Nos anos 60, Malcolm X afirmava terem existido dois tipos de escravos, ou seja, os negros das casas e os dos campos. Os primeiros eram os serviçais submissos que viviam com os patrões, vestiam-se bem, aceitavam comer os restos deixados pelos seus senhores e morriam por eles. Para rematar o discurso, Al-Zawahiri igualou Obama a Condoleezza Rice e Colin Powell.


Depois da tragédia em Mumbai, na Índia, onde atuou por meio da afiliada organização terrorista Lashkar-e-Taiba, a Al-Qaeda atacou estrategicamente em duas frentes. Com isso, incomodou sobremaneira Obama, que durante as primárias e a campanha presidencial centrou a futura luta contra o terrorismo no Afeganistão.


Por partes. O relatório do respeitado International Council on Security and Development (Icos) concluiu, depois de analisar os sete anos de intervenção no Afeganistão, que os talebans controlam 72% do país.


Em outubro de 2001, os talebans desarticularam-se quando as forças norte-americanas e os aliados da Otan derrubaram o governo integralista do mulá Mohamed Omar, instalado em outubro de 1997 em uma espécie de emirado taleban.


Quando se completou, por imposição de Bush, a rotulada reforma institucional no Afeganistão, em 2005, os talebans já tinham reorganizado as milícias.


A constatação contida no relatório do Icos não surpreende. Para se ter uma idéia, no ano passado, as milícias talebans dominavam 54% do país. Em meados do mês passado, uma potente bomba explodiu no interior da zona de segurança máxima da capital, Cabul, a mostrar a fragilidade da proteção a cargo, desde 2003, da Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf, na sigla em inglês), um organismo sob o comando da Otan e com a meta de tentar absorver a operação Enduring Freedom.


O fracasso da Enduring Freedom e da Isaf, com as milícias talebans instaladas ao norte e oeste de Cabul, tem várias causas. O slogan proclamado de “conquista de corações e mentes” dos afegãos não se efetivou. No Afeganistão faltam postos de trabalho, água potável e alimentos. Sem isso, os corações endurecem.
Mais: a destruição dos campos de papoula, de onde se extrai o ópio bruto, e o bombardeamento constante e a atingir civis, gerou revolta. Os chefes tribais, os “senhores da guerra”, mudaram de lado e apóiam as milícias talebans em troca de proteção dada aos campos de papoula.


O general David McKiernan, comandante da Isaf no Afeganistão, confirmou o avanço dos talebans e a possibilidade de retomarem o controle do país. Por isso, pediu que as tropas dos EUA passem de 32 mil para 60 mil combatentes. Sua sentença: o ano de 2009 será de “dura batalha”.


A Al-Qaeda é a principal aliada dos talebans na luta pela retomada do poder. Uma vitória taleban dará força à Al-Qaeda, que, ao contrário das forças xiitas do Hamas e do Hezbollah, nunca conseguiu uma grande vitória e vive da tragédia do 11 de setembro.


Enquanto o general norte-americano David Petraeus, chefe das operações no Afeganistão e Iraque, preparava as malas para o seu périplo pelas capitais da Europa a fim de conseguir mais soldados, cerca de 250 talebans atacaram e destruíram, em Peshawar, o principal centro de apoio logístico para as tropas da Isaf. Foram destruídos caminhões, veículos blindados de combate, ao preço de 100 mil dólares a unidade, e farta quantidade de alimentos e medicamentos.


Com 72% do território controlado e Cabul quase cercada, a Al-Qaeda, por meio das milícias dos talebans, espera que Obama cumpra a promessa de guerra. Já se deram mal, neste terreno, soviéticos, Bush, a Isaf e a coalizão da Enduring Freedom.
Wálter Fanganiello Maierovitch.


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