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DROGAS. Chega o Papai Noel para Evo Morales.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 11 de dezembro de 2008.
Morales: na ONU, fala sobre a folha de coca.

O Papai Noel chegou inesperadamente e Evo Morales, presidente da Bolívia, está exultante.


Nos próximos dias, a União Européia (UE) doará 234 milhões de euros para auxiliar a Bolívia na (1) luta contra as drogas ilícitas, (2) no incremento de cultivos substitutivos à coca e (3) na abertura de postos de trabalho.


Na América Latina, trata-se da maior doação já feita pela UE. Os 234 milhões de euros (cerca de US$300 milhões) serão repassados num arco de cinco anos, em parcelas iguais. Assim, a última será enviada em 2013.


O presidente Morales afirmou que os valores doados serão empregados da “melhor maneira” e irão, seguramente, beneficiar àqueles que necessitam.


A União Européia, desde 1998, vem auxiliando a Bolívia. Enviou verbas que foram investidas em estradas e escolas da região do Chapare.


Só para lembrar, a Bolívia ficou dividida, quanto ao plantio de coca, em duas áreas. Ou seja, uma área de plantio legal, permitido, e outra de proibição. A primeira fica em Yungas de La Paz. A outra, de cultivo ilegal, no Chapare.


No Chapare, foi formado o primeiro sindicato de cocaleiros (cultivadores da folha de coca) e, desde 1998, o presidente é Evo Morales. A propósito, Morales é duplamente presidente, da Bolívia e do sindicato de cocaleiros do Chapare.


Durante o governo do falecido general Hugo Banzer, de triste memória( ele foi ditador e, depois, retornou ao poder pelo voto popular), as Nações Unidas promoveram, no Chapare e com apoios financeiros dos EUA e União Européia, o chamado Plano Dignidade, de cultivos substitutivos.


Os agricultores que acreditaram, deram-se mal, pois não houve demanda pelos produtos produzidos, como maracujá, milho, tomate, etc. Pelo tal Plano Dignidade, o mercado consumidor seria o argentino, mas a Argentina mergulhou em crise e passoua por momentos dramáticos. Portanto, o Plan Dignidade fez água.


Com o fracasso, o então presidente Banzer determinou a erradicação manu-militari e os cocaleiros reagiram. Banzer recuou, dada a pressão internacional.


Convém observar que a folha de coca, rica em minerais e portadora de proteína, é utilizada na região Andina durante séculos. Na América-espanhola, ajudava os nativos, sem outro alimento, no trabalho escravo nas minas. Mais, o nativo conseguia, nas altitude e em razão da mascagem da folha de coca, locomover-se e produzir em ambiente com baixa oxigenação, dada o efeito estimulante. Em toda a região Andina, os índios consideram sagrada a folha de coca. E a folha de coca não deve ser confundida, como fez a ONU em convenção, com o cloridrato de cocaína, que é droga.


Com efeito. O representante da União Européia na Bolívia, Kenneth Bell, já acertou com o governo boliviano o instrumento de doação, que, em breve e com o título de cooperação internacional, será assinado em Bruxelas, sede da UE.


Em tempo de crise financeira global, o Papai Noel da UE acabou por surpreender Morales.


PANO RÁPIDO. Com apoio financeiro da Venezuela, o governo do presidente Morales investe no processo de industrialização da folha de coca: dentifrício, comestível, chá, medicamento, etc. O ajutório da UE, portanto, chega na hora certa.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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