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DROGAS. O governador do Rio de Janeiro muda estratégia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 9 de dezembro de 2008.


A war on drugs já fez no México, desde janeiro de 2008, quatro mil vítimas fatais. O presidente Felipe Calderon, empossado em 2007 sob odor de fraude eleitoral, declarou, no primeiro dia do seu mandato, guerra às drogas e aos potentes cartéis mexicanos.


Esses cartéis, como se sabe, instalaram-se na linha de fronteira com os EUA: Tijuana (México)-San Diego (EUA), Ciudad Juarez (México)-El Passo (EUA), Nuovo Laredo (México)-Houston (EUA).


Fora isso, os cartéis mexicanos operam rotas marítimas do narcotráfico para os EUA. São conhecidas, por exemplo e na navegação pelo Atlântico, os desembarques de drogas, -- procedentes do Golfo do México e saídos de Mérida (México)--, em Nova Orleans, Tampa e Miami. Do lado do Pacífico, as drogas ilícitas chegam a Los Angeles e San Francisco.


Depois de adotar o falido modelo norte-americano nos morros do Rio de Janeiro e colocar em risco e assustar a população, o governador do Rio de Janeiro resolveu parar de imitar o presidente mexicano Calderon.


Cabral, como se observa na Cidade de Deus e no morro Dona Marta, acaba de abandonar o pirotécnico e perigoso modelo norte-americano da War on Drugs. Assim, vai evitar grandes tragédias humanas.


Na linha prudentemente abandonada, civis-inocentes que moram nas favelas ficavam no centro do fogo cruzado trocado entre traficantes e policiais. Com numa tática de guerrilha, as tropas atacavam pesadamente e, logo depois, abandonavam o cenário de guerra criado. Por evidente, a delinqüência se reorganizava, renovava e continuava a manter os controles de território e social.


O governador Cabral, aos poucos, consegue recuperar territórios e a confiança da população que é subjugada pela secessão e governo impostos pelo crime organizado.


Na favela do morro Dona Marta, por exemplo, a presença continuada, efetiva, ostensiva, de 50 policiais fez cair a violência e as bocas de fumo e de drogas ficaram sem clientes.


Ocupar territórios apossados pela criminalidade organizada, restabelecer o controle social, limpar as polícias corruptas, e afetar a movimentação financeira das organizações criminosas, representam fórmulas de sucesso no combate às máfias. Ou seja, combate às associais delinqüências especiais, diversas de quadrilhas e bandos, que deté controle social e territorial e conseguem difundir o medo entre os cidadãos de bem.


Essas fórmulas são mais inteligentes e eficazes do que atacar, como ocorre com a “war on drugas”, com arsenal de guerra, não conseguir vencer a resistência dos traficantes e cair fora sem vencer o inimigo.


No México, o presidente Calderon, faz a guerra às drogas. E está a perder as batalhas bélicas travadas contra os cartéis mexicanos. Em poucos meses de guerra, percebeu que a polícia estava corrompida a ponto de oferecer as próprias armas aos traficantes.


Diante disso, o presidente ordenou que os policiais, em várias cidades, devolvessem o armamento e fossem dispensados de atuar na repressão às drogas. E o Exército entrou na “war on drugs” mexicana.


Por outro lado, os cartéis mexicanos passaram a tentar desmoralizar o governo. Para isso, atacaram e mataram autoridades e jornalistas incorruptíveis: o vice-chefe da polícia de narcóticos do México, Julio Carlos Lopez, foi metralhado ao deixar, na companhia de dois amigos, um restaurante em Acapulco.
A Operação Mérida, que os EUA de Bush financiam, matou mais civis-inocentes do que narcotraficantes: 4 mil, como acima mencionado.


. No início, a população mexicana aplaudiu o plano militarizado do seu presidente. Hoje, já o reprova e chora as vítimas.


Num pano rápido, o governador Cabral do Rio, --que imitou o presidente mexicano Calderon--, mudou a rota. Agora, começou um trabalho racional, com respeito aos direitos humanos. Por isso, Cabral merece ser apoiado.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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