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JUSTIÇA: o Príncipe anti-hitler e a sentença estranha da Corte de Potsdam

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 5 de dezembro de 2008.


foto:Friedrich III, o prussiano Príncipe anti-Hitler.


Em 1944, um grupo de cidadãos alemães perceberam que Hitler era louco, sanguinário e levaria o país à ruína. Depois de algumas reuniões dos seus membros, dentre eles o prussiano príncipe Friedrich III, o grupo passou a conspirar contra Hitler e foi escolhido Claus von Stauffenberg para a liderança.


Os conspiradores conseguiram, em 20 de julho de 1944, colocar e explodir uma bomba num barracão de madeira onde Hitler se reunia com os seus generais. O atentado, voltado à eliminação de Hitler, não vingou, pois o Führer saiu levemente ferido.


Hitler, enfurecido, designou Himmler, chefe da Gestapo e da SS, para identificar e liquidar com os conspiradores. Com exceção de Friedrich III, todos do grupo foram torturados e mortos pelos homens de Himmler.


Segundo contam os historiadores, o príncipe Friedrich III foi poupado por Himmler por estratégia política. Himmler queria se aproximar da nobreza reinante da Suécia e Friedrich III era, também, dessa linhagem.
Friedrich III não perdeu a vida, mas as suas terras foram confiscadas. Uma enorme área de sete mil hectares em Brandeburgo.


Terminada a guerra, o príncipe Friedrich foi viver na África e morreu na Namíbia em 1951. Com a divisão da Alemanha e o muro de Berlim, as terras ficaram na posse do governo da Alemanha Oriental, até a reunificação.


Na quinta-feira passada, o Tribunal de Justiça de Potsdam, vizinho a Berlim, julgou improcedente o pedido de restituição da propriedade das terras formulado por Fridrich V , ou melhor Friedrich zu Solms Baruth. Ele é neto e sucessor do avô que participou da conspiração contra Hitler. O seu avô, Fridrich III, ficou conhecido como o Príncipe anti-Hitler.

O Tribunal de Justiça de Potsdam entendeu que as terras foram confiscadas, efetivamente, pelas tropas soviéticas quando ingressaram na Alemanha e já vencidos os nazistas. Nesses casos, os velhos proprietários de terras não têm direito à reivindicação, consoante a jurisprudência prevalente na Alemanha, que, aliás, acabou aplicada pela corte de Potsdam.


PANO RÁPIDO. Nem a queda do Muro de Berlim, em 1989, serviu para os sucessores do chamado Príncipe anti-Hitler recuperar as terras. Nelas, hoje, estão sediadas muitas e potentes empresas, como a Deutsche Telecon e, também, estão instaladas as casas de grande parte dos cidadãos de Baruth e Zossen.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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