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TERROR: 30 anos do seqüestro e morte de Aldo Moro e os detentores dos mistérios se encontram.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 24 de novembro de 2008.

O corpo de moro, deixado num auto no centro de Roma, em 2 de maio de 1978.

No dia 16 março de 1978, o ex-premier e presidente do partido da Democracia Cristã, o jurista Aldo Moro, foi seqüestrado pelas Brigadas Vermelhas.


Moro estava em rota de colisão com o então premier Giulio Andreotti, que, muitos anos depois, foi condenado definitivamente pela Corte de Cassação Italiana por associação mafiosa, com o reconhecimento da extinção da sua punibilidade pela prescrição.


Dentro do direitista partido da Democracia Cristã, Moro abria caminho para a formação de uma frente de centro-esquerda e se aproximava do euro-comunista Enrico Belinguer. Frise-se, o eurocomunismo europeu, liderado por Berlinguer, distanciou-se do ortodoxismo soviético. Sua meta era “a construção do socialismo com respeito ao pluralismo político e a democracia ocidental”.


Como o partido Comunista crescia na Itália, a Casa Branca, no início de janeiro de 1978 chamou o seu embaixador, Richard Gardner: procedimento igual ao que acaba de ocorrer, com a chamada do embaixador brasileiro no Equador.


A Casa Branca, temia perder um aliado, em plena Guerra Fria. De lembrar que, em 1947, houve um rompimento do pacto unidade nacional pelo governo de Alcide De Gasperi, da Democracia Cristã. Ele aliou-se à Casa Branca, em troca de ajuda econômica para a reconstrução do país: se tornou um submisso a Washington.


Com efeito, no supracitado governo Andreotti, e dentro do ministério do Interior conduzido por Francesco Cossiga (outra figura controvertida da vida política peninsular e que, como Andreotti, é senador vitalício), formou-se, na direção de espionagem, a poderosa Gládio: terrorismo de estado, por agente de inteligência, de ultradireita e ligados à CIA (agência americana de inteligência).


Moro foi seqüestrado quando se dirigia ao Parlamento, onde ocorria uma sessão especial para votar a “confiança ou desconfiança” no governo do premier Andreotti. A desconfiança geraria a queda do governo e a convocação de eleições antecipadas, com grande chance de o Partido Comunista Italiano, com apoio de Moro e os de centro-esquerda, ganhar.


Os cinco agentes de escolta de Moro foram fuzilados pelos brigadistas, que interromperam, na Via Fani, a deslocação do Fiat 130 de Moro e o veículo com a escolta. Um automóvel com falsa placa diplomática, e que seguia à frente, parou no cruzamento, segurou o trânsito e ensejou a aproximação dos brigadistas.


De 16 de março a 9 de maio ( 55 dias de cativeiro), o governo Andreotti, com apoio de Cosiga, recusou-se a negociar com os brigadistas a libertação de Moro, que foi encontrado morto, às 13,50 hs, na via Caetani (centro de Roma), no porta-malas de um automóvel da marca Renault, de cor vermelha.


A esposa de Moro e os filhos recusaram-se a comparecer à cerimônia fúnebre oficial, em protesto contra Andreotti, que não cedeu e se opôs às negociações.


Um dos organizadores e que esteve a frente do seqüestro de Moro foi Valério Morucci. Os seus brigadistas, quando do seqüestro, dispararam 91 tiros e 45 projéteis acertaram os cinco homens da escolta.


Passados 30 anos do seqüestro e morte de Moro, na última sexta-feira, à noite, foi o lançamento do livro Terroristas Italianos: as Brigadas Vermelhas e a Guerra Total. O livro é da lavra do sociólogo Luigi Manconi, ex-senador por duas legislaturas, vice-secretário da Justiça no governo Prodi (2006-2008) e ex-integrante, nos chamados Anos de Chumbo, da facção de esquerda Luta Contínua.


No lançamento preparou-se um debate entre Andreotti, senador vitalício, e Valério Morucci, que foi condenado mas já está em liberdade.


Os dois trocaram aperto de mãos e gentilezas. Mentiram a vontade. Andreotti, por exemplo, disse que tudo foi muito rápido e confuso. Mais, as viúvas dos agentes de escolta mortos ameaçavam, em praça pública, atear fogo às vestes para se suicidar, caso houvesse acordo do governo com os brigadistas.


Essa versão de Andreotti, há anos, fora desmentida pelas viúvas. Durante o cativeiro de Moro, a líder das viúvas deu um telefonema, tornado público, à esposa do seqüestrado para informar que era mentira a versão que circulava de que pretendiam se matar, no caso de o governo Andreotti tentar, por negociação, salvar a vida de Moro.


A operação que resultou no seqüestro foi, segundo noticiado, de precisão militar e cinematográfica. Para os peritos, no processo, os participantes devem ter treinado muito e não se descartou uma assessoria de especialistas em operação de guerra e sabotagem. Para Morucci, com Andreotti ao lado e como já havia dito no processo, nenhum treinamento especial foi realizado. PANO RÁPIDO. A esposa de Moro, Eleonora, ouvida no processo e na comissão parlamentar formulou algumas perguntas que, até agora, estão sem resposta. Por exemplo, ela quis saber como foi possível saber o itinerário, pois Moro não percorria todos os dias as mesmas ruas. Mais ainda, no instante que sai de casa Moro dizia ao motorista onde deveria ir e este comunicava o itinerário por rádio ao centro de comando das escoltas. Assim, era impossível que 14 brigadistas (9 segundo os acusados) aguardassem em local certo, inclusive com o uso de um automóvel e um furgão para interceptar, bem no momento da passagem pela via Fani.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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