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Terror: o que esconde o discurso de Zawahiri contra Obama.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 21 de novembro de 2008.

Al Zawahiri.

Os 007 da Cia e de outras agências de espionagem dos EUA estavam apreensivos pois esperavam uma manifestação alqaedista, por Bin Laden ou Al Zawahiri, imediatamente após confirmada a vitória de um dos candidatos à Casa Branca.


Em 11 de setembro passado, os 007 da cyberespionagem tinham conseguido bloquear redes islâmicas e impedido a divulgação, no referido dia 11, da usual mensagem alqaedista.


A blindagem foi uma vitória, muito comemorada: o portal-mãe, de dissiminação de vídeos e mensagens, fora descoberto e isolado. Assim, não retransmitiu.


A mensagem terrorista do 11 de setembro só foi disseminada dias depois, quando já se explorava, no campo da contra-inteligência, o fracasso dos fundamentalistas sunitas capitaneados por Osama bin Laden.


Demorou muito para os 007 da Cia e das demais agências norte-americanas de espionagem ganharem uma batalha no campo do Cyberterror . Os alqaedistas e simpatizantes islâmicos tinham criado uma miríade de infovias para difundir mensagens e vídeos. Era a grande arma para divulgações e arregimentações de aliados, organizações aderentes tipo Al Qaeda do Magrebe (norte da África), combatentes e homens-bomba.


Para uma organização que se nutre do ódio, a rede telemática tornou-se indispensável.


A mensagem sobre a eleição de Obama só foi divulgada na quarta-feira 19, ou seja, a Al Qaeda conseguiu introduzi-la num portal e este a distribuiu para as redes de islâmicos que se consideram combatentes da “jihad” de matriz alqaedista, pela internet.


Os 007, a cada dia de atraso, especulavam e tentavam “plantar” na imprensa vitórias ainda não conseguidas. Por exemplo: plantaram que os bombardeios com aviões sem tripulantes nas regiões tribais paquistanesas (linha de fronteira com o Afeganistão), onde os extremistas encontram refúgio, poderiam ter matado Bin Laden e Al Zawahari. O silêncio, pós vitória de Obama, servia como indício de aniquilamentos para os 007.


Com a divulgação do vídeo de 11, 23 minutos e Al Zawahiri em cenário especial, a esperança de morte frustrou-se.


O dado positivo foi que o discurso de Al Zawahire estava mais para a Ku-Klux-Klan do que para o de uma organização que se diz intérprete do verdadeiro islamismo.


No cenário montado para a filmagem e mostrado no vídeo, Zawahiri ocupava o centro. No seu lado esquerdo do vídeo aparecia uma fotografia de Obama, de quipá e cercado por dois religiosos judeus, no Muro das Lamentações. O lado esquerdo ficou reservado para uma foto do Malcon X, ajoelhado e voltado a Meca, em oração. Malcon X, nos anos 60, liderava, com Luther King (tinha outra linha), a batalha dos afro-descendentes por igualdade dos direitos civis nos EUA.


Na fala discriminatória, Zawahiri, para tentar divisão entre os afrodescendentes norte-americanos, voltou a insistir no velho e ultrapassado discurso de Malcom X.


Para Zawahiri, o futuro presidente Obama era um “negro das casas” (house slaves), isto é, igual aos escravos que faziam os serviços domésticos e sempre prontos a fazer a vontade dos patrões.


A propósito, Malcolm X, nos anos 60 e com relação à escravidão, dizia: - “Existiam dois tipos de escravos, os Negros de casa e os Negros dos campos. Os primeiros viviam com os patrões, bem vestidos comiam os seus restos e seriam mortos por eles”. Os “negros do campo” eram os desfrutados no trabalho nas lavouras, os mal alimentados e os açoitados.


Zawahiri colocou Obama no mesmo patamar de Condoleezza Rice e Colin Powel, considerados a serviço dos lobistas e dos sionistas.


Numa das passagens, Zawahiri afirma que Obama nasceu de um pai muçulmano, mas se juntou aos inimigos do Islã.


PANO RÁPIDO. Não percebeu Zawahiri que 96% da comunidade afro-americana votou em Obama, a revelar que não o consideram um “negro de casa” ou um vendido para os brancos. Sobre essa distinção, a escritora afro-americana Rebecca Walker, autora de vários bestsellers, dentre eles Black, White e Jewish, alertou ser obsoleta a distinção entre “negro-bom” (de casa) e “negro-mau” (do campo e que se alegrava com a desgraça dos senhores e ria quando as casas eram destruídas pelo fogo). Afirma Rebecca Walker que essa distinção era feita por aqueles que escravizavam, no seu interesse.


Por outro lado, Zawahiri esqueceu dos árabes que era mercadores de escravos. Para os historiadores, entre 11 e 18 milhões de escravos foram vendidos pelos mercadores árabes nos países do Oriente Médio e nos banhados pelo Oceano Índico. Enquanto isso, os mercadores europeus negociaram de 10 a 14 milhões de negros para serem empregados nas plantações dos EUA.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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