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MÁFIA: Mino Carta entrevista Tóto Riina, capo dei capi, e Provenzano manda recados.

Por MINO CARTA

IBGF, 06 de novembro de 2008.

Totó Riina.

Em virtude de minhas ligações com autoridades italianas, consegui conversar pelo telefone com Totó Riina, o boss de Corleone, maior figura mafiosa até ser preso, faz quinze anos. Está em cárcere de segurança máxima e falou comigo diretamente de sua cela, autorizada a entrevista por quem de direito. Transcrevo o diálogo:



Eu – Que acha da Operação Satiagraha?

Ele – Obviamente, um desplante.


Eu – Como assim?

Ele – Transparece nela o ódio de classe, como, de resto, se deu no meu caso, só que com papéis trocados.


Eu – Ódio de classe?

Ele – A Operação Satiagraha parte de um preconceito furibundo contra os ricos. No meu caso, contra os pobres.


Eu – E o senhor seria pobre?

Ele – Eu defendo os pobres, sou o paladino dos miseráveis da Sicília. Quanto ao Brasil, que exigir de Daniel Dantas? Que ele não mostre suas habilidades, sua picardia, seu tino, ao explorar o clima de corrupção que vigora nos ambientes da política brasileira?


Eu – Trata-se de um corruptor?

Ele – Por que não, se a turma nada deseja além de ser corrompida? Inocente, eu sustento, inocente. E nem me fale de outros que o juiz De Sanctis mandou prender juntamente com ele.


Eu – E quem é culpado, então?

Ele – A resposta é simples: além de De Sanctis, os delegados que entraram na operação, todos sem exceção, da PF e da Abin, a começar, está claro, pelo delegado Protógenes.


Eu – Culpados? Por quê?

Ele – Agiram contra inocentes, chegaram a prendê-los, ainda bem que o ministro Gilmar Mendes vela sobre o Brasil e impede esses crimes policiais. Atuaram a partir de seu impiedoso preconceito em relação aos ricos que enriqueceram legitimamente, a considerar a situação brasileira. Se venta a favor, o barco vai navegar contracorrente? Deram ouvido ao ódio de classe para inventar enredos inviáveis quando é de clareza solar que onde há corrupção o corruptor porta-se corretamente.


Eu – Quer dizer que, na sua opinião, os culpados são os policiais da Satiagraha?

Ele – Claro, claríssimo. Aliás, acabo de ser informado que a corregedoria da Polícia Federal autorizou busca e apreensão na casa desses policiais. Felizmente, à testa da PF temos o delegado Luiz Fernando Correa, um esteio da investigação isenta. Só não entendo porque não foi incluída a residência do delegado Paulo Lacerda. As notícias que chegam do Brasil me deixam muito satisfeito. Ao contrário do que aconteceu comigo, lá se faz Justiça.


BERNARDO PROVENZANO ENVIA RECADOS A MINO CARTA.

*por Wálter Fanganiello Maierovitch.

Bernardo Provenzano.

Caro MINO.
Acabo de voltar da Itália e trago alguns recados do Bernardo Provenzano, àquele capo-mafia que ficou foragido durante 43 anos, sem precisar deixar a Sicília.

Ele, como “La Belve” (a Besta), ou melhor Riina, também está em cárcere de segurança máxima, blindado. Mas, com os anos de convivência com o Totó Riina, na famosa Comissão (órgão de governo da Cosa Nostra), eles desenvolveram uma técnica de telepatia-virtual e se comunicam. Não ficou bem explicado como é a técnica, mas acho que tem um tal Francesco Xavier na “jogada”.

Bom, vou direto aos recados, colocando-os em tópicos e com tradução, pois o Provenzano misturou o dialeto com o jargões da Cosa Nostra.
1. “Cumprimento-lhe pela competência, pois foi colocado, exatamente conforme o respondido pelo Riina. Não faltou uma palavra e nenhuma linha perdeu-se”.


2. “Endosso o entendimento de Riina, em “gênero, número, caso e lupara” (arma síbolo da Máfia).

3. “O Gilmar Mendes é um homem justo, como o ínclito magistrado italiano Corrado Carnevale, da suprema Corte de Cassação. Aquele que foi massacrado pela imprensa vendida e, desiludido, achou melhor se aposentar. Ambos são eternas vítimas de injustiças. Carnevale chegou a ser apelidado de "AMMAZZA SENTENZE" (assassina sentenças). Isto, só porque tinha coragem de reformar decisões e absolver mafiosos. Pena não ter sido o juiz De Sanctis aluno do Carnevale. A propósito, Carnevale está disponível e poderia minsitrar, à distância, ensinamentos e lições no Curso do ministro Gilmar Mendes.

4. “Aviso-lhe, ainda, que Dantas é um "uomo d´onore". Daqueles que dá, em certas pessoas, beijos quando cumprimenta, fato ocorrido com um seu ex-sócio,”

5.Gostaria muito que Dantas conhecesse o senador vitalício Giulio Andreotti e o ex-presidente Cossiga, igualmente senador vitalício (aquilo que o ex-presidente de vocês, um tal FHC, tanto queria).

O Cossiga era ministro do Interior do Andreotti, quando o Aldo Moro foi seqüestrado e morto pelas Brigadas Vermelhas. Ele dava cobertura, quando era ministro do Interior, à Gládio. Uma organização indevidamente catalogada como terrorista de direita, que nós, da Cosa Nostra, demos ampla cobertura. A Gládio funcionava dentro do ministério do Interir, na agência de inteligência militar, dirigidas por BRILHANTE coronéis e generais. E não posso esquecer que o nosso Andreotti foi injustamente condenado por associação mafiosa: injusto porque nossa organização é classificada como criminosa no Código Penal (art.416-bis). Nós não somos criminosos, participamos de uma Onoratà Società e foi justo aquele comunista, deputado Pio La Torre, pagar com a vida por nos colocar na lei penal. Mas, com a proteção de nossa padroeira, Santa Anunzziata, o Andreotti teve reconhecida a prescrição e continua senador, com escritório para assuntos especiais, na aristocrática praça de San Lorenzo in Lucina.

6.Por último, o Protógenos é um "sbirro", um beleguin de quinta. Não fosse o ínclito Gilmar Mendes, que de tão indignado concedeu liminar para Dantas sem ter competência jurisdicional, o “Orelhudo” (adotamos o apelido) estaria preso, como eu. 7. Espero que esse tal de Wálter Fanganiello, que escreve calúnias, injúrias e difamações sobre nossa organização na revista Carta Capital, transmita-lhe o meu recado. Minhas recomendações.


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