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DIREITOS HUMANOS: Garzón na pista do corpo de Garcia Lorca.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 23 de outubro de 2008.

Garcia Lorca.


ROMA. O poeta e dramaturgo espanhol Garcia Lorca era um democrata republicano. Pelo prestígio que conquistou, a sua voz incomodava os falangistas: Falange era o partido do general Francisco Franco.




Na sangrenta Guerra Civil Espanhola iniciada em junho de 1936 e que durou até 1939, Garcia Lorca ficou ao lado dos republicanos.




Em 1936, com a Guerra Civil em curso, Garcia Lorca foi obrigado a deixar Madrid e mudar para a cidade de Granada, onde, na vizinha e conservadora Andaluzia havia passado a juventude e brilhado no meio literário. Andaluzia era conservadora e a elite dominante toda franquista.




Pelas suas assumidas posições republicanas, Garcia Lorca, em Granada, acabou fuzilado por falangistas e o seu corpo desapareceu.




O juiz espanhol Baltasar Gárzon, conhecido pela sua marcante atuação em defesa dos direitos humanos, começou a realizar um recenseamento e a procurar identificar as vítimas desaparecidas durante a Guerra Civil espanhola e a posterior ditadura do general Franco, que durou até a sua morte em 1975.




general Francisco Franco.


Gárzon já sabe da localização e determinou a abertura de 19 covas anônimas onde estão com corpos sem identificação. Pelos dados levantados, Garzón poderá, numa dessas fossas, encontrar os restos mortais de Garcia Lorca. Os trabalhos de aberura e remoções terão início nos próximos dias.




Pano Rápido. No Brasil, os arquivos das Forças Armadas, relativos ao período da ditadura militar, continuam blindados.




Uma das ações declaratórias sobre a responsabilidade do coronel Brilhante Ustra, apontado ao tempo da ditadura militar como o responsável pelo centro de tortura conhecido pela sigla DOI-CODI de São Paulo, é objeto de recurso ao Superior Tribunal de Justiça, depois de o Tribunal de São Paulo ter, para surpresa geral, extinto o processo sem julgar o mérito da ação. A segunda e exitosa ação judicial declaratória (limita-se a declarar a responsabilidade e não a condenar) já pende de recurso de apelação. Pela duração média de processo brasileiro, nos próximos 30 anos poderá haver uma decisão, mas que só Deus sabe se ela enfrentará o mérito e declarará a identidade do chefe das torturas.


--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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