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TERROR. Do terrorismo de esquerda da Raf para o nazismo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 10 de novembro de 2008.



MILÃO. Não me lembro mais em que livro de medicina legal. Como estou longe de casa, não dá para procurar na biblioteca. Bom, o que importa é que num desses capítulos de psiquiatria forense cheguei a ler, --e a guardar--, que os extremistas, num certo momento, podem migrar para a outra ponta, ou seja, continuarem radicais.


Por que guardei a lição, que nem mesmo sei se correta ? É que na juventude tive um conhecido que de apologético “papa-hóstia” (assim eram considerados) virou discursivo ateu.


Hoje, de manhã, esperava o trem e dei de cara com uma manchete de jornal sobre Horst Mahler , um dos antigos expoentes da Raf (Rote Armee Fraktion- Facção do Exército Vermelho), grupo terrorista alemão, de esquerda, e que ficou conhecido, em 1970, como Badder-Meihof, nome dos seus fundadores: o jornalista Andréas Baader e a jovem Ulrike Meinhof.


Mahler participou da fuga de Meihof da prisão, idealizada por Baader. Os três fugiram para a Jordânia, para aulas de terror e sabotagens com a Frente Popular de Libertação da Palestina. Na Jordânia, Baader e Meinhof fundaram, em 1970, a Raf.


Quando voltou à Alemanha, Mahler foi preso por ações terroristas e, em 1974, acabou condenado a 14 anos de reclusão. Um brilhante advogado, que depois se tornou premier da unificada Alemanha, Gerhard Schoröder , conseguiu reduzir a pena e em 1980 Mahler já estava em liberdade, com autorização para voltar a advogar.


No final dos anos 90, Mahler ingressou no partido neonazista alemão (Npd) e voltou às manchetes quando, numa entrevista a um jornalista israelense sobre o Raf, o saúda com um “Heil Hitler”.


Mahler, de 72 anos de idade e a partir de quinta feira, responde, perante o Tribunal de Potsdam, próximo a Berlim, a processo criminal. Duas são as acusações: incitamento ao ódio racial e negação ao holocausto.


Nos últimos anos, por internet, Mahler produziu textos onde nega tenha existido o campo de concentração de Auschwitz e afirma ter se tratado de propaganda semita contra o governo de Hitler.


PANO RÁPIDO. Radical de esquerda e preso até 1980, Mahler vira nazista, direitista, em 1997. Como se percebe, continua um estúpido, a fomentar violência e ódios, além de negar a história, com relação ao holocausto.


Vale lembrar que no país de nascimento de Hitler, a Áustria, negar o holocausto é crime. Também é crime na Alemanha, Bélgica, Portugal, Suíça, Romênia, Luxemburgo, Polônia, Israel, República Tcheca e Lituânia.
-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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