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TERRORISMO CURDO.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 7 de outubro de 2008.

Como já escrevi diversas vezes neste blog, as Nações Unidas ainda não chegaram a uma definição sobre terrorismo, por Convenção.



A proposta norte-americana feita no governo Bush não foi acolhida e enfrentou resistência dos aliados islâmicos como a Arábia Saudita. Por evidente, os sauditas, egípcios, jordanianos, não iriam dar um tiro no pé ao admitir uma definição, como a preconizada pelos EUA, que colocam o Hamas palestino e o Hezbolah libanês como organizações terroristas.



O PKK é composto por extremistas curdos e foi fundado em 1978. Esse grupo armado tem ideologia maoísta e é comandado por Abdullah Öcalan. Sua meta é tornar independente o enclave curdo, localizado no sudeste da Turquia e que faz fronteira com o Iraque.



Para os EUA e a União Européia, o PKK, que se apresenta como partido trabalhista curdo, é um grupo terrorista e não separatista.



Desde sexta-feira passada, o PKK promove ataques na província turca de Hakkai. E começou por atacar a base militar turca, tendo o exército reagido. No conflito à base, morreram 23 curdos e 15 militares turcos. Nos últimos 30 anos, o PKK, em razão dos seus ataques, provocou cerca de 40 mil mortes.



Nesta segunda, o Parlamento turco analisou os ataques do PKK, em especial sua tática de atacar e os seus membros, depois, se refugiarem do lado iraqueado da fronteira. No ano passado, o parlamento havia aprovado uma autorização para as forças armadas turcas invadirem a fronteira com o Iraque a fim de perseguir os guerrilheros do PKK.



Na Turquia, são 550 parlamentares, com cadeiras divididas entre 5 partidos políticos. O AKP é integrado por islâmicos moderados, tem 341 deputados e, pela maioria, estes elegeram o premier Ergogan. Os laicos, sucessores de Ataturk (herói nacional que lutou pela Turquia laica), estão reunidos no CHP, contam com 112 cadeiras e contam com apoio dos militares turcos que querem um estado-laico, como preconizado por Ataturk. Os ultranacionalistas direitistas estão concentrados no MNP: contam com 71 deputados e são considerados os herdeiros dos “lobos-cinzas”, ou máfia turca. O menor dos partidos é o DTP, de perfil filo-curdo e integrado por 23 deputados.
Em razão do ocorrido, o presidente turco, Abdullah Gül, cancelou a viagem que faria à França.
PANO RÁPIDO. Com os islâmicos em postos chaves em face do resultados das eleições, temeu-se que o Exército, de fé laica por influência da doutrina de Ataturk, desse um golpe. Isto não ocorreu, mas continua a desconfiança de a meta ser a constituição de um estado islâmico a tomar o lugar da república laica.
Para o premier Erdogan, o ataque lhe é politicamente favorável, pois o general Basbug, duas semanas antes do ataque, dava como desarticulado o PKK. Erdogan pretendia, junto ao Parlamento, a renovação da autorização concedida em 2007 para ultrapassar a fronteira com o Iraque a fim de dar perseguição aos guerrilheiros do PKK. No momento, esse é o desejo da maioria da população que pugna inclusive a extinção do DTP, por ter fracassada a tentativa de dar representação parlamentar aos apoiadores dos curdos..
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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