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TERRORISMO: Damasco e os seus mistérios.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de setembro de 2008.

foto: ditador sírio Bashar Assad.


Apelidado de Leão de Damasco, o ditador Hafez al Assad, falecido em 10 de junho de 2000, colocou o serviço secreto sírio entre os mais eficientes do mundo.

Na verdade, eram sete agências sírias de espionagem, com os seus 007 infiltrados no mundo islâmico e atentos para abortar qualquer tentativa de tirar o Líbano da tutela da Síria.

Com a morte do Leão de Damasco, vencido por um câncer, e a transferência do poder ditatorial para o filho Bashar Assad, os serviços de inteligência da Síria perderam a força, pois consumidos em lutas internas de controle de poder.

Em outubro de 2005, por exemplo, morreu misteriosamente o ministro e coordenador de todas as agências de inteligência, general Ghazi Kanaan.

O general Ghazi Kanaan teria planejado com os seus 007 o assassinato do premier libanês Rafiq Hariri, ocorrido em Beirute, em 14 de fevereiro de 2005.

A morte do supracitado general, -- (na versão oficial suicidou-se)--, é considerada “queima de arquivo”. Isto pelas agências de inteligência européias, o Mit da Turquia, a Cia norte-americana e o Mossad israelense.

Depois da morte do general Kanaan, os serviços sírios de espionagem, ficaram sem sustentação e submergiram em face da forte suspeita de que teriam executado o premier Hariri, que lutava pela a saída das tropas sírias do Líbano.

No mês de setembro de 2006, ocorreu a misteriosa explosão da embaixada norte-americana em Damasco. Mais, os desnorteados 007 sírios foram surpreendidos com o bombardeio aéreo realizado por Israel, em setembro de 2007, num ponto do deserto da Síria e onde eram mantidas instalações nucleares.

Neste ano de 2008, na frente da sede onde instalado o comando coordenador da inteligência síria, foi dinamitado Imad Mugniyeh, o “ministro da guerra” do Hezbollah, que estava em litígio com Hassan Nasrallah, o líder político da organização.

Diante desse quadro, não surpreende o atentado ocorrido no último final de semana em Damasco, na importante via al Mahlak, que conduz ao aeroporto internacional.

No atentado contra civis, usou-se um um carro-bomba, com 200 kg de dinamite. Até o momento, morreram 17 civis e uma dezena sírios que passavam pelo lugar ficaram feridos. O atentado aconteceu bem próximo a uma das agências de inteligência da Síria, a repetir a estratégia, -- talvez de despiste pelos próprios 007--, no caso de Imad, que já tinha sido avisado para deixar Damasco, pois sua presença causava protestos e o vinculava Assad com o hezbollah.

Desta vez, o grande suspeito do atentado não é Israel, mas a Al Qaeda. Assad está se reaproximando do Ocidente. No início deste mês de setembro recebeu a visita do presidente francês Nicolas Sarkozy ( anterior presidente francês era íntimo amigo do premier libanês Hariri e não perdoava Assad, que considerava o responsável pelo assassinato). Não bastasse, estão ocorrendo contatos reservados entre autoridades israelenses e sírias.

Para os 007 da Síria, o responsável pelo atentado é o grupo terrorista Jund al-Sham (soldados da Síria, numa tradução livre). Esse grupo é sunita-fundamentalista. Foi fundado no Afeganistão e é ligado a Al Qaeda, que considera laico o governo de Assad e não o aceita. Tudo é agravado pelo fato de Assad apoiar, por baixo do pano, o Hezbollah, que é xiita.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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