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Direitos Humanos: a nova Ingrid Betancourt

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 4 de setembro de 2008.

foto ANSA: visita ao papa, em Castel Gandolfo.

Ingrid Betancourt, libertada em 2 de julho passado depois de seis anos de cativeiro imposto pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que a seqüestraram quando fazia campanha para a presidência da Colômbia, está cumprindo uma agenda lotada de compromissos no Vaticano e na Itália.

Ontem, em Florença, ela recebeu o título de cidadã honorária da cidade berço do Renascimento, em cerimônia no magnífico Palazzo Vecchio.

À cerimônia, estava presente o embaixador da Colômbia, Sabas Veja, que não gostou do discurso oficial de Eros Cruccolini, presidente do conselho comunal (câmara municipal). Como membro de um partido de esquerda (sinistra democratica-esquerda democrática), Eros mencionou pensamentos de Antonio Gramsci e falou em libertação de todos os presos políticos do mundo. Para o embaixador, o discurso foi considerado impróprio, pois na Colômbia existe democracia a parte da esquerda italiana, do partido da Refundação Comunista, não considera as Farc uma organização terrorista, mas “de fins altruísticos”.

No final, tudo acabou bem, com vinho a brindar a nova cidadã honorária de Florença, terra toscana onde descansa o espólio do grande Dante Alighieri.

Na segunda feira, Ingrid visitou o papa Bento XVI, no Castel Gandolfo, residência de verão de Ratzinger.

Pelas fotos estampadas nos jornais, Ingrid Betancourt aparenta boa-saúde e disposição. Na visita ao papa os seus cabelos estavam puxados para trás.

Nos 25 minutos de entrevista reservada que a Ingrid teve com o papa, soube-se de um fato dramático e emocionante. Ou seja, Ingrid contou ao papa que, certa dia, estava com uma imensa angustia e uma profunda dor no coração, pois, durante os longos anos de cativeiro, fora obrigada a passar todo o dia a andar pela selva, com uma pesada mochila.

À noite-- e a pensar que o seu fim estava próximo-- ela ligou o rádio: o rádio foi o seu único companheiro nos 6 anos de prisão na selva. Pelo rádio, a Ingrid ouviu o papa pronunciar, pausadamente, o seu nome, numa mensagem aos fiéis. A partir daí, ela recuperou as forças e o ânimo.

Depois da visita, Ingrid frisou que a política não é mais uma prioridade na sua vida. E destacou estar contente com o fato de o seu nome haver sido lembrado para concorrer ao prêmio Nobel da Paz.

Ingrid tem um projeto humanitário a executar. Ela disse que vai começar a falar por aqueles que não têm voz.

Num Pano Rápido, ela irá ajudar a todos os oprimidos e cativos. A começar, pela Aung Kyi, já prêmio Nobel da paz e que está, faz anos, aprisionada pela ditadura militar que governa a Birmânia: os ditadores mudaram o nome do país para Myanmar.

-Wálter Fanganiello Maierovitch--


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