São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Grampolândia II: Jobin, do protagonismo ao tiro no coturno.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 3 de setembro de 2008.

.


O ministro Nelson Jobim, da Defesa, sustentou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) adquiriu, logo depois de compra feita pelas Forças Armadas, equipamentos modernos de interceptação e gravação telefônica. Em outras palavras, a Abin teria instrumental para realizar grampos clandestinos.

Segundo os jornais, a intervenção e veemência de Jobim, em reunião extraordinária, teriam motivado o presidente Lula a determinar o afastamento do diretor-geral da Abin, delegado Paulo Lacerda, e de quatro outros auxiliares.

Responsável pela Abin, o ministro-general Armando Félix, depois de surpreendido na reunião com a acalorada fala de Jobim, alertou, posteriormente, que o equipamento em questão serve para varreduras, ou seja, é empregado para evitar que a agência e os seus 007 sejam grampeados.

Como toda a arapongagem sabe, o equipamento adquirido pode ser empregado, com adaptações, para a realização de captação de sinais e promoção de escutas ilegais. Trata-se, também, de equipamento conhecido e comprado pela polícia federal a fim de bloquear dois presídios de segurança máxima.

O fato de existir o equipamento, por evidente, não implica que a direção da Abin autorize grampos e agentes de inteligência saiam a bisbilhotar. No caso, a responsabilidade da Abin é grande, com relação à guarda do equipamento e distribuição para uso.

Quanto ao equipamento, dizem os especialistas, não há possibilidade, uma vez realizada qualquer grampo, de apagar o registro eletrônico da operação na memória do equioamento. Assim, uma perícia, -- que já tarda --, poderia afirmar se os números dos telefones do senador Demóstenes e de Gilmar estão na memória dos equipamentos da Abin. Daí, para a identificação do agente operador bastaria um passo.

Jobim, na verdade, joga na busca do protagonismo. Procura, como faz sempre, aparecer como fundamental e fiel escudeiro de Lula. No entanto, Jobim sabe muito bem que o fato de a Abin possuir equipamento, comprado legalmente, não traduz certeza de ela ter grampeado Demóstenes e Gilmar.

A intervenção de Jobim gera uma pergunta que não quer calar: As Forças Armadas, que possuem igual equipamento, também realizam grampeamentos ou o equipamento é so para varreduras ?
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet