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Geórgia-Rússia: balanço final da guerra no Cáucaso.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 13 de agosto de 2008.



A presidência de turno da União Européia (EU) está sendo exercitada pela França. No momento crítico e já com cerca de 1.700 vítimas fatais, o presidente francês Sarkozy e o seu respeitado e experiente ministro de relações exteriores, Bernard Kouchner, entraram em ação para obterem um cessar fogo entre a Rússia e a Geórgia : o conflito teve início em 8 de agosto, quando o presidente georgiano enviou tropas para a Ossétia do Sul, a fim de reprimir um movimento separatista.

Com apoio da Alemanha, Itália e Grã Bretanha, Sarkozy rumou para Moscou enquanto Kouchner para Tbilisi (capital da Geórgia), que determinou a retirada dos soldados da Ossétia do Sul, em face do arrasador ataque russo, em 11 de agosto. A retirada foi um eufemismo do presidente da Geórgia, pois os soldados, em inferioridade, fugiram da Ossétia do Sul.

Na missão de pacificação, Sarkozy-Kouchner tinham à frente duas posições antagônicas. Para a Geórgia, um país democrático com 4,5 milhões de habitantes, era legítimo o envio de tropas, pois, segundo as convenções internacionais, a Ossétia do Sul ( ao contrário da Ossétia do Norte, que é russa) faz parte do seu território e está sujeita à sua soberania. Para o presidente russo, Dimitry Medvedev, a legitimidade da invasão pela força estava na defesa dos cidadãos russos da Ossétia do Sul (cerca de 90% dos habitantes optaram pela nacionalidade russa e não a georgiana) e no restabelecimento do processo de paz.

Por evidente, nenhuma corte internacional julgará qual das duas posições é correta e o próprio Conselho de Segurança das Nações Unidas, em mais de cinco sessões, não conseguiu chegar a um consenso.

Sarkozy-Kouchner tiveram a sorte de encontrar o presidente e o premier russos, Medvedev-Putin, satisfeitos com o (1) sucesso da intervenção, (2) a humilhação imposta ao presidente georgiano Saakashvili que teve de retirar os seus soldados da Ossétia, e (3) as repercussões em ex-estados membros da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas: para os russos, o estratégico Cáucaso pertence a eles, numa conquista de dois séculos, quando o czar-russo derrotou, no final de 1800, os rebeldes norte-caucasianos liderados por Imam Shamil. Shamil (1797-1871) era o líder tribal.

Como se percebe, o cessar-fogo e o acordo de paz foram possíveis porque a Rússia entendeu esgotados os seus objetivos mediatos na região. Por outro lado, não lhe interessava o prolongamento de um conflito, quando, certamente, se intensificariam as comparações com a Chechênia, que, --sob argumento de ser território russo e com presença de “terroristas” (são separatistas)--, foi invadida pelo exército do então presidente Putin. Na Chechênia ocorreram 200 mil mortos, ou seja, foram eliminados separatistas que Putin chamou de terroristas: para o presidente da Geórgia, os separatistas da Ossétia são terroristas.

PANO RÁPIDO. A solução diplomática, por iniciativa da União Européia, serviu para colocar fim às mortes. Restou a suspeita de Bush, em mais uma equivoco, ter dado sinal verde para a Geórgia, estrategicamente no dia da abertura dos jogos olímpicos, enviar tropas para reprimir rebeldes na Ossétia do Sul. Num balanço final, ficou o esparadrapo para segurar fraturas expostas na Geórgia, Ucrânia, Azerbaijão, Ásia Central e Europa do leste.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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