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Guerra no Cáucaso: presidente russo determina uma tregua nos ataques à Geórgia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF,13 de agosto de 2008.

foto ANSA.


O presidente russo, Dimitri Medvedev, por instancias do francês Nicolas Sarkozy, ordenou um período de trégua e espera que o georgiano, Mikhail Saakashvili, aceite seis condições, ainda não reveladas. Sarkosy anunciou partida imediata a Tbilisi a fim de conversar com o presidente da Geórgia.

Para analistas europeus, o presidente da Geórgia meteu-se numa aventura temerária ao invadir a Ossétia e, para eles, não deve ter agido sem um sinal verde dos EUA.

A propósito, o ex-presidente Mikhail Gorbachev, já ganhador do Nobel da paz, sustenta que os EUA sabiam da pretensão de a Geórgia invadir a Ossétia do Sul.

Para Gorbachev, o governo Bush apoiou a ação militar georgiana de invadir a Ossétia do Sul e o governo russo reagiu de forma adequada: - “As ações da Rússia foram inteiramente adequadas, ao contrário se pode afirmar das reações do Ocidente”.

Segundo Gorbachev, “sem apoio dos EUA, Tbilisi (capital da Geórgia) não teria se arriscado a começar uma guerra na Ossétia do Sul”.

O certo é que o presidente da Geórgia, há alguns meses, vinha provocando a Rússia, que estabeleceu, de fato, um protetorado na Ossétia e na Abcazia. Nessa última região, tem até um uma linha imaginária de fronteira. E por incrível funciona um “posto de fronteira”, com georgianos a controlar a saída e líderes separatistas da Ossétia a autprizar, com apoio russo, a entrada, num território onde cerca de 90% dos membros da etnia ossétia adotaram a cidadania russa. Como se percebe, de fato, já existe uma desvinculação da Geórgia.

A aventura do presidente georgiano, com o trapalhão Bush em apoio, durou exatos seis dias. O governo russo reagiu como ao tempo dos antigos generais, ou seja, com rapidez e brutalidade.

A dupla Putin-Medvedev esperava a invasão na Ossétia e já contavam com um plano de reação e desmoralização do presidente Mikhail Saakashvili.

Para ter idéia, as tropas, de pronto, invadiram a Geórgia e controlaram Gori, Santrédia e Senaki, ou melhor , tomaram conta de todas as vias de acesso à Geórgia.

Com o cessar-fogo prometido por Medvedev, a Rússia, depois de receber de “bandeja” do presidente da Geórgia um motivo para intervir naquela região do Cáucaso, deixou claro três pontos:
1. funciona bem o sistema de protetorado, a conferir independência à Ossétia do Sul e à Abcasia. Aliás, ambas já prontas para uma unificação à Rússia: a Ossétia do Norte já integra o território russo.
2. deixa um aviso aos EUA e aos estados que se tornaram independentes da ex-URSS, no sentido de a Rússia estar pronta a recorrer à força bélica para defender os seus interesses.
3. continuará a influir na questão interna da Geórgia, que enfrenta três focos de separatismo: Ossétia do Sul, Abcasia e Adzaristão.

Pode-se concluir, também, que o presidente da Geórgia perdeu, ---apesar da posição estratégia do seu país e do trunfo do oleoduto BTC (Baku-Tbilisi-Ceyhan: duto que leva para o Mediterrâneo o petróleo do mar Cáspio, sem cortar a Rússia e o Irã) e do gasoduto Nabuco, em construção--, todas as chances de o seu país ingressar na NATO. Um país em conflito não cabe na geoestratégia estabelecida pela NATO.

PANO RÁPIDO. Além do efeito “boomerang suportado pela Geórgia em face da temerária aventura do seu presidente, ficou claro, no tabuleiro internacional, que a Rússia voltou a jogar xadrez, enquanto os norte-americanos continuam com as suas partidas de damas. Achar que se poderia invadir a Ossétia, com os jogos olímpicos a distrair atenções e Putin em Pequim, não passou de uma estratégia ridícula e, ao mesmo tempo, trágica em razão do grande número de mortes de civis.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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