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DROGAS: Traficantes e Políticos, no Afeganistão.

Por Ricardo Herton Furtado Freire

IBGF,8 de agosto de 2008.

Campo de papoulas no Afeganistão.

O Afeganistão é o país de maior área de cultivo de paoula e extração ilegal de ópio.

Da papoula é extraído o ópio-bruto empregado na elaboração da heroína, ou seja, da pior das drogas proibidas, isto em termos de causadora de dependência física e mental.

Para ter idéia, as crises de abstinência dos droga-adictos provocam dores insuportáveis, diarréis, cãibras, etc. No tratamento dessa dependência é utilizada a metadona, isto é, uma droga substitutiva à heroína-ópio e capaz de abrandar as crises no toxicodependente. Na Europa e EUA existem, nos centros de saúde, programas para fornecer a metadona a dependentes de heroína-ópio, sob controle médico. O principal problema nos centros são os assaltos, realizados por usuários de heroína, não inscritos nos programas de atendimento.

No Afeganistão, o cultivo da papoula e a extração do ópio (suco, em grego) da cápsula de sustentação das pétalas da papoula sempre esteve sob controle dos chefes-tribais, também conhecidos por “Senhores da Guerra”.

A propósito, os chefes dos clãs, além do tráfico de ópio, são responsáveis pelas derrubadas de florestas. Segundo a agência ambiental da Organização das Nações Unidas, com o tráfico pesado de cedro, pinho, mogno e carvalho, iniciado em 1977, hoje só restam 2% das florestas do Afeganistão.

Os centros de cultivo e extração estão em zonas controladas pelos talebãs, com os quais os Senhores da Guerra celebraram alianças.



Segundo acaba de denunciar o deputado afegão independente Kaled Pastun, “alguns deputados estão emvolvidos no tráfico do ópio”.

. Kaled, membro da Comissão de Segurança do Parlamento do Afeganistão (Vali Jirga) afirmou que “os deputados envolvidos na produção e no tráfico do ópio eram, antes de assumirem os postos, comandantes de milícias”. Para Kaled, como deputados eles continuam a enriquecer com o ópio e se tornaram influentes no país graças ao tráfico de drogas.

Nas acusações, Kaled não cita nomes, mas, na capital Cabul, todos sabem muito bem quem são os referidos pelo deputado.

Ainda segundo Kaled, os deputados traficantes mantém “lanços de amizade com líderes dos talebãs, que controlam as áreas de cultivação de papoula”. PANO RÁPIDO Para os talebãs, os vínculos com os chefes tribais é fundamental, pois são eles que operam as redes do tráfico internacional. Os talebãs não sabem traficar, não têm contatos com traficantes que operam transnacionalmente. Ainda mais, como são islâmicos fundametalistas sunitas, não podem comercializar drogas. Portanto, limitam-se a dar proteção as áreas de cultivo e, na visão fundamentalista, não têm impedimento quanto à venda de drogas, por terceiros (“senhores da guerra”), aos infiéis, ou seja, aos não islâmicos.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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