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KARADIZIC: presidio é considerado um Club Med, de 5 estrelas.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 1 de agosto de 2008.

imagem: jornal Folha de S.Paulo.

É um “Club Med sobre o Mar do Norte”. Essa foi a definição dada ao presídio internacional de Schveningen, vizinho a Háia (Holanda) por Carla Del Ponte.

Para Carla Del Ponte, apelidada pela máfia de Carla a Peste por ter aberto, quando era procuradora chefe da Confederação Helvetica, as contas de bancos suíços para bloquear os depósitos da Cosa Nostra no cantão de Ticino, o presídio internacional de Schveningen, que abriga os presos do Tribunal Penal Internacional e das temporárias Cortes Criminais para a ex-Iuguslávia e Ruanda, é inadequado.

Esse cárcere internacional, explicou o juiz Antonio Cassese, que na qualidade de presidente do Tribunal Internacional supervisionou a construção iniciada em 1994, adota “um modelo adequado para o respeito aos direitos e a dignidade dos detentos. Esses, embora acusados de crimes hediondos, são considerados inocentes até eventual condenação”.

As celas são individuais, com ventilação, iluminação e higiene recomendadas pelas regras mínimas para o trato penitenciário das Nações Unidas.

Em cada cela, além de cama e banheiro, o preso tem escrivaninha e aparelho de televisão dotado de sistema satelital. Atualmente, contado o recém-chegado Karadzic, o presídio abriga 38 detentos.

O presídio conta com cozinha moderna, salas completa para ginástica, computação (com internet) e jogos. Mais, existe uma biblioteca, que fornece curso de inglês de primeira linha, pintura e cerâmica. Lógico, não falta, como nos hospitais e aeroportos, uma sala para orações e reflexões. O único cuidado, pela administração, é evitar, nesses locais, encontros entre sérvios, bósnios e croatas. Aliás, isso ocorreu quando lá estavam Slobodan Lilosevic, ---ex-presidente da Sérvia, fautor da limpeza étnica e do sonho da formação da Grande Sérvia (algo semelhante ao consegido pelo ditador Tito)--, e o general croata Ante Gotovia.

Pelas regras, cada preso pode, diariamente, falar ao telefone e por 7 minutos com a esposa, filhos e pais. Se receber visita da esposa, tem a disposição um quarto com cama matrimonial.

Quando ocorre definitiva condenação, o preso deixa o cárcere de Scheveningen para descontar a pena em presídio de outro país. Como se percebe, Scheveningen é um cárcere provisório, ou seja, de permanência de réus, enquanto em curso os processos. Não é presídio para cumprimento de pena.

O primeiro preso de Scheveningen foi Dusko Tadic, condenado à pena de 20 anos por responsabilidade nos massacres a mulçumanos ocorridos na Bósnia. Tadic aproveitou bem o tempo, pois apreendeu inglês e pintura a ponto de se considerar, modestamente, um ótimo pintor. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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