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Karadzic surpreende na primeira audiência no Tribunal Internacional para a ex-Iuguslávia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 31 de julho de 2008.

Karadzic, durante a audiência, exibe novo visual.

Na audiência preliminar junto ao tribunal penal de Háia, Rodavan Karadzic apresentou-se de terno, sem a barba e o penteado exótico usados como disfarce: confira a foto acima..

Consultado se preferia uma audiência privada ou pública, com televisão a gerar imagens pelo planeta, Karadzic optou pela última.

Depois de cientificado dos 11 ítens da acusação, cujas imputações mais graves são as relativas aos crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio, o chamado Bin Laden dos Bálcãs preferiu se utilizar do prazo procedimental de 30 dias para optar entre se declar culpado ou inocente.

Embora tenha solicitado prazo de trinta dias, Karadzic disse preferir se defender sozinho, ou seja, sem advogado, como ocorreu com Slobodan Milosevic, ex-presidente sérvio e seu parceiro no projeto de limpeza étnica e construção da “Grande Sérvia”.

Karadzic surpreendeu ao protestar contra a sua prisão e extradição. Alegou haver celebrado um pacto com os EUA, a assegurar-lhe imunidade.

Tal pacto, segundo sustentou, teria sido celebrado em 1996 com Richard Holbrook, diplomata norte-americano e ex-secretário de Estado adjunto dos EUA. Holbrook costurou o acordo de Dayton (1994), que pôs fim à guerra nos Bálcãs.

Para o acusado Karadzic, Holbrook, em troca da imunidade, exigiu que ele se retirasse da vida pública, o que foi aceito e cumprido, até sua prisão. Não se sabe como fará para provar a tal imunidade, mas disse que apresentará prova documental a respeito.

Sobre os treze anos que esteve foragido, Karadzic disse ter sempre residido em Belgrado, na rua Gagarin, número 237. Ou seja, frisou que não era foragido, mas que cumpria o estabelecido ao receber a imunidade.

No final da audiência Karadzic procurou irritar o juiz holandês Alphons Orie, que presidia a audiência. Para isso, disse não acreditar que o juiz não soubesse da maneira pela qual foi preso e das ilegalidades cometidas. Referia-se à alegação que já fizera na Sérvia. Ou seja, de que havia sido seqüestrado numa sexta-feira e mantido incomunicável até a segunda-feira, quando falsamente divulgou-se como sendo o dia da prisão.

Experiente, o juiz comunicou-lhe: - “Se o senhor quer protestar em face de eventuais erros procedimentais, deve apresentá-los à Corte, que, depois, os examinará e decidirá se os admite ou não”.

A audiência de prosseguimento foi designada para 29 de agosto. Enquanto isto, Karadzic permanecerá no cárcere internacional de Scheveningen, vizinho a Háia e dotado de todo conforto.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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