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DROGAS: de quem é a culpa ?

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 23 de julho de 2008.


O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em entrevista dada à televisão em Tegucigalpa, resolveu responder às críticas sobre a política antidrogas do seu governo feitas pelo embaixador norte-americano Charles Ford. Em Honduras, além do elevado consumode maconha e cocaína, o país é um dos portos, pela costa Atlântica, para o giro e armazenamento da cocaína colombiana que chega ao México.

Zelaya, que recentemente se alinhou ao venezuelano Hugo Chavez, começou a entrevista dizendo que o problema gerado pelo tráfico internacional de drogas ilícitas atinge o México, toda a América Central e a do Sul, em particular a Colômbia. Chegou a falar em “flagelo” representado pelas drogas proibidas.

Sem vacilar, acusou os EUA de “ter a responsabilidade maior pela presença do narcotráfico na América Latina”. Fechou a entrevista com um alerta: “- Não se deve esquecer que o povo norte-americano é o maior consumidor mundial de drogas e isto tem causado “ um problema para toda a humanidade e Washington deve se encarregar de resolver”.

O presidente de Honduras esquece que o fenômeno das drogas é complexo e o uso se perde no tempo, como se pode observar pelo escrito de Heródoto (século V), no quarto dos nove volumes da sua obra sobre a história. Convém lembrar, também, a lenda de Shiva, que mascou maconha, e que remonta ao ano 2.500 aC.

Quando governador no Rio de Janeiro, o varão da família Garotinho, apresentou o canhestro discurso de que o problema, da violência e do crime organizado no seu estado, era dos consumidores de drogas. No particular, repetia o presidente Bush, para quem se não houvesse consumo não haveria oferta.

PANO RÁPIDO. Na linha desse truísmo de que o consumo zero acabaria com a oferta, poder-se-ia concluir, também, que sem oferta não haveria demanda. Mais, sem insumos químicos não haveria cloridrato de cocaína e nem drogas sintéticas. Será que alguém imagina acabar com a indústria química ?

Mais, deixar para os EUA resolverem o problema, como sugere o presidente de Honduras, é tudo o que o “império” deseja. Lógico, para colocar bases-militares, se intrometer em questões internas e tomar conta das riquezas. Já basta, como prova da incompetência e do oportunismo, a “War on Drugs”, iniciada no governo Richard Nixon e seguida por todos os presidentes que o sucederam, quer republicanos, quer democratas.
-- Wálter Fanganiello Maierovitch--


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