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Banqueiros famosos: de Deus, da Máfia e do Opportunity

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 9 de lulho de 2008.

foto do jornal O Globo: Daniel Dantas.


No mundo das finanças já tivemos o Banqueiro de Deus e o Banqueiro da Cosa Nostra. Agora, temos o Banqueiro da Coisa Nossa, um verde-amarelo, natural da Bahia. Digno de se ombrear com os grande nomes da lavagem de dinheiro, da reciclagem de capitais e das fraudes sem fronteiras.

O mafioso Michele Sindona ficou conhecido como “Banqueiro da Cosa Nostra”. Ele conseguiu unir os interesses da máfia, da maçonaria, da Igreja e do então potente partido da democracia cristã italiana. Nos anos 70, Sindona foi entronizado como o banqueiro mais ousado de toda a Europa.

Quando o Franklin Bank ( uma espécie de Naji Nahas Bank da época) quebrou, Sindona percebeu que ficara com a brocha, sem escada. Isto porque a base de sustentação do seu império político-econômico entrara definitivamente no vermelho: bacarotta.

Sindona fugiu da polícia. Esta tinha contra si mandado de prisão da Justiça e algemas: como era muito liso e especializado numa nova ciência chamada vitimologia, alguns policiais contam que também levaram, de reserva, uma camisa-de-força.

Lógico, Sindona procurou porto-seguro, onde a polícia e a Justiça não contavam e nem entravam. O local era a Sicília, ou melhor, a terra-madre da Cosa Nostra.

Calvi presidia o Banco Ambrosiano, que recebia grana recolhida pelo IOR (Instituto de Obras Religiosas), gerenciado pelo inesquecível cardeal Paul Marcinkus: recentemente recebido no inferno, de quimono e faixa-preta, como usava, debaixo da batina, à época que era guarda-costa do papa.

O Banco Ambrosiano também abrigava a conta do diabo, ou seja, guardava e aplicava o dinheiro da Loja Maçônica P2 (Propaganda 2). E os livros ainda ensinam que o Vaticano considerava a maçonaria o anti-Cristo: “inimigos, inimigos, mas negócios a parte”

Com os assassinatos dessas duas figuras do mundo criminal faltava, na literatura que relata os dos métodos mafiosos, um sucessor à altura.

Só para recordar, Sindona foi envenenado na cadeia, ao tomar uma xícara de café com cianureto. Calvi foi pendurado numa ponte londrina em grotesca simulação de enforcamento. A propósito, o primeiro perito-médico que chegou à Blackfrears Bridge foi logo avisando que não era suicídio, pois um enforcado sempre morre com o pênis em estado de ereção e esse não era o caso de Calvi.

Pois bem. No “pantheon” dos colarinhos-brancos das finanças internacionais, o sucessor de Sindona e Calvi é brasileiro. É Coisa Nossa. Seu nome: Daniel Dantas. Por enquanto, está preso em carceragem da polícia federal. Tem até gente que se atreve a afirmar que não deveria ser algemado. Dantas, se fugir para a Itália, poderá ocupar o ministério das finanças da Cosa Nostra. Talento para o mal, artes e poder compulsivo para corromper não lhe faltam. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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