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DROGAS. Dia Internacional de Combate às Drogas. Fracasso.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 26 de junho de 2008.

Plantador de maconha do libanês Vale do Bekaa.


Pelo mundo, o “Dia Internacional de Combate ao Abuso e ao Tráfico Ilícito de Drogas”, criado pelas Nações Unidas, quase passa despercebido. Não é para menos. As convenções faliram. Prova disso é que ainda está em vigor a de 1961, celebrada em Nova York e que adotou a matriz norte-americana da “war on drugs”. A propósito marco-se o prazo de 25 anos para a de erradicação dos cultivos: o prazo, contado a partir de 1964, terminou em 1989. Neste 2008, o destaque a marcar o dia internacional de combate às drogas proibidas vem da Indonésia. Para comemorá-lo, o governo anunciou o fuzilamento de dois nigerianos, condenados por tráfico internacional de drogas. Os nigerianos foram presos em 2001 no aeroporto de Jacarta na posse de quase três quilos de heroína. Sobre tal barbárie, a ONU, que recentemente promoveu uma moratória para a pena de morte, silenciou. E sua agência, -- o escritório das Nações Unidascontra Drogas e Crimes (UNODC)--, limitou-se a apresentar o Relatório Anual sobre Drogas, que totaliza dados informativos enviados pelos estados-membros. Ou seja, a UNODC não levanta dados, apenas os recebe. O relatório chapa-branca da UNODC vem sempre acompanhado de um comentário do chefe da agência, o italiano Antonio Maria Costa. Costa dirige uma desprestigiada e quebrada agência, posta a reboque financeiro e ideológico do pensamento governamental norte-americado, que faz doações em dinheiro para que não feche as portas. A longa gestão de Costa vem sendo marcada pela submissão à linha política dos EUA, que insistem na sua “war on drugs”, a torná-los campeões mundiais de consumo. Além disso, Costa é visto como aquele que propôs aos estados-membros, nas escolas, a submissão de crianças e adolescentes a processos contiados de testagens. Assim, colocou todos os estudantes do planeta sob suspeita de consumidores de drogas.

Todos os anos, nos dia de 26 de junho, Costa costuma, além de obviedadese alertas, abrir caminhos para acontinuação de intervenções norte-americanas, mascaradas de cooperação internacional. Este ano, ele alerta para o aumento do plantio de coca na América do Sul. Esquece de criticar o Plan Colômbia, de fracasso completo, e de apresentar soluções concretas. Para Costa, que já escreveu que o problema do Brasil é com o elevado consumo de drogas para emagrecimento e nenhum problema com a demanda à cocaína, o controle internacional “está sob ameaça”, em face do aumentos dos plantios da coca e de papoula, da qual se extrai o ópio e se prepara a heroína. Uma velha ameaça que a Unodc não contribui para debelar, pois, na região andina, a oferta de matéria-prima (folha de coca) sempre foi suficiente para atender a demanda. Por último, Costa está a dever os dados e as fórmulas empregadas para calcular os aumentos. Como já está no por vários mandatos, deveria falar sobre a sua parcela de responsabilidade, quando não é capaz nem de promover uma reforma nas convenções. --Wálter Fanganiello Maierovitch--


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