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Direitos Humanos e Farsa Eleitoral de Robert Mugabe. De herói a tirano.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 26 de junho de 2008.

Mugabe: "seis de paus", de www.alexhughescartoons.co.uk



O Zimbábue, na África oriental, já foi rico e o seu presidente, Robert Mugabe, de herói anticolonialista virou ditador sanguinário e está no poder há 28 anos. É recordista em desrespeito e violações a direitos humanos.

Amanhã no Zimbábue, ex-Rodésia e antiga colônia britânica, haverá um inusitado segundo turno eleitoral. Inusitado porque só disputará um candidato, ou seja, o tirano Mugabe, de 84 anos de idade.

Os jornais europeus destacam uma frase de Mugabe, pronunciada ontem: - Só Deus me tira do poder”

O líder da oposição, Morgan Tesvangerai, conseguiu, apesar das fraudes e pressões, passar para o segundo turno das eleições presidenciais. Só que teve de renunciar à candidatura e se exilar, para não morrer, na embaixada da Holanda em Harare, que é a capital do Zimbábue.

Durante o período eleitoral, as milícias de apoio ao ditador Mugabe queimaram os títulos eleitorais, a carteira de identidade e as casas dos opositores. O objetivo é não deixá-los votar e intimidá-los. Nesse período de farsa eleitoral já foram assassinados oitenta (80) cidadãos do Zimbábue.

A inflação no Zimbábue é de causar inveja ao ex-presidente José Sarney, recordista brasileiro. No Zimbábue, a inflação atinge 1.700% ao ano e o pib (produto interno bruto) caiu 35% em 2007. O índice de desenvolvimento humano é de 0,491, a colocar o país no 151º.lugar no rol mundial. A mortalidade infantil é de 52% (última estimativa é de 2005). Mais ainda, a esperança de vida é de 40 anos entre os homens e de 38 entre as mulheres.

O tirano Mugabe tem esperança de mudar o quadro econômico. Ele acompanha as políticas energéticas e aposta no biocombustível, pois o país produz milho e planta cana-de-açúcar. Por isso, é cortejado pela China e pela Rússia. Só que China e Rússia, pela pressão internacional, acabaram de assinar uma moção de protesto contra o ditador, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mugabe: uma banana para a democracia.


Enquanto o Conselho de Segurança advertia Mugabe, a rainha Elizabeth cassava-lhe o título de cavaleiro, conferido em 1994. Mas, como para um tirano sanções morais pouco contam, valeu mesmo o bloqueio dos bens e valores, de Mugabe e do país, determinado aos 27 estadosos-membros da União Européia e, também, o congelamento das contas bancárias em todo o Reino Unido.

Na próxima semana, a União Européia vai decidir sobre o congelamento dos bens de 130 pessoas, dadas como responsáveis pelo financiamento das milícias de paramilitares e esquadrões da morte de sustentação ao tirano Mugabe.

Os EUA e a GB não reconhecem Mugabe como presidente. Só China e Rússia o toleram. Como Mugabe é cara de pau, estará na abertura dos jogos olímpicos de Pequim.

Neste mês de junho, Mugabe compareceu ao convênio da agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), sediada em Roma. O estado italiano concedeu a Mugabe um visto diplomático limitado, ou seja, válido, apenas, para circular por Roma e durante o summit da FAO. Na ocasião do encontro da FAO, Mugabe não foi recebido pelo papa Bento XVI e nem convidado para o jantar oferecido pelo primeiro-ministro italiano. Dos chefes-de-estado e de governo presentes a Roma, Mugabe e o presidente iraniano foram os únicos a não receber convite para o jantar de boas-vindas.

Para Mugabe, o segundo turno de amanhã será tranqüilo em termos de protestos populares. Para isso, ele já deve ter colocado as suas milícias de paramilitares e os seus capangas de prontidão.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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