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CRIME ORGANIZADO. Outra tragédia no Rio de Janeiro.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 17 de junho de 2008.

Os amigos Lula e Crivella.


No sábado, três jovens, de 17, 19 e 24 anos, foram, por sete soldados, três sargentos e um tenente, todos do Exército brasileiro, transportados, sob custódia, do Morro da Providência, onde instalada a mais antiga das favelas do Rio de Janeiro e que está sob o controle do Comando Vermelho, para o Morro da Mineira, dominado pela rival organização criminosa conhecida por Amigos dos Amigos.


Os jovens tinham sido acusados de crime de desacato, depois de revistados pelos militares, que os imaginavam estarem armados.


Presos os três por suposto crime de desacato, foram apresentados ao capitão responsável pelo contingente que atua no Morro da Providência, no projeto denominado Cimento Social. A propósito, um projeto de autoria do senador Marcelo Grivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, que, por meio do vice-presidente José Alencar, -- quando então ministro da Defesa-- , ganhou a parceria do governo federal, pelos ministérios da Cidade e da Defesa.


O supracitado capitão determinou, por entender que não havia crime, a imediata soltura dos três jovens, David Wilson F. da Silva, Marcos Paulo Campos e Wellington Gonzaga Ferreira.


A ordem superior não foi cumprida pelo tenente, que, sentindo-se ofendido, resolveu, com outros dez militares, se vingar dos três civis, inferiorizados em forças física e moral.


Os jovens,então, foram jogados às feras, ou melhor, entregues para serem “justiçados” pelos ferozes traficantes da organização Amigos dos Amigos, esta rival do Comando Vermelho, instalado na Providência, onde residiam as três indefesas e jovens vítimas.


Num lixão, os corpos foram encontrados no domingo. As vítimas foram torturadas e assassinadas. Um teve o braço cortado e outro a perna decepada, abaixo do joelho.


Ferida nos brios, parte da comunidade reagiu e, no centro do Rio e diante do prédio do Comando Militar do Exército, entrou em confronto com policiais militares, da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Aliás, a competente para ações ostensivas de garantia da ordem pública.


Depois da covardia que resultou em tragédia , o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu, diante de câmaras de televisões, a punição exemplar. Ou seja, que a Justiça, no devido processo, aplicasse “punição exemplar”. Logicamente, só para os réus e não para os idealizadores de um projeto eleitoreiro, que, com ofensa à Constituição, emprega o Exército nacional para reformar fachadas e remendar telados, no morro da Providência.


Com isso, Jobim desviou o foco da atenção. Em momento algum falou em tirar o Exército do projeto. Pior, ontem a noite, um oficial do exército, em coletiva, garantia a permanência na área e a continuidade da “missão”.


Hoje à tarde, o presidente Lula mandou Jobim para o Rio e, ao que parece, com a ordem de tirar o Exército do rojeto.


Sobre o projeto “Cimento Social”, do senador Marcelo Crivella e do fautor Jose Alencar, vice-presidente da República, ambos do mesmo partido político, o jornalista Merval Pereira, na sua coluna de hoje no O Globo, bem frisou que houve “ uso político do Exército para apoiar um projeto assistencialista do candidato a prefeito do Rio de Janeiro”.


Aliás e à luz de outras carências mais urgentes, que colocou o Exército como mestre de obras, na reforma de fachadas e de telhados.


Por outro lado, ficou bastante claro, pelos depoimentos de três dos militares arquitetos da tragédia ( tenente, sargento e soldado ), que todos atuaram com dolo, no mínimo eventual.


Pelo código Penal, aquele que priva de liberdade três vítimas insuspeitas de ligação com o crime organizado e as entrega para uma violenta facção de traficantes de morro rival, assume o risco do resultado morte.


Portanto, estamos, pelas provas colhidas até agora, diante de co-autoria em crimes de homicídios pluri-qualificados.


Os irresponsáveis e covardes militares, no caso, deverão ser julgados pela Justiça-comum e não pela Militar. Para evitar corporativismos, a legislação brasileira estabeleceu, claramente, a competência da Justiça comum (não militar), para processar e julgar, pelo Tribunal do Júri, esse tipo de crime, contra os três civis.


Não se trata de crime de natureza militar. Mas, crimes de militares envolvidos em ato de represália contra moradores civis da favela da Providência.


Infelizmente, o Exército brasileiro foi jogado numa aventura política, pelo vice-presidente e então ministro Jose de Alencar, com o “nihil obstat” do comandante supremo da Força, ou seja, o presidente Lula.


Militares preparados para teatros de guerra, formados para atacar o inimigo, não podem, como regra constitucional, serem chamados para colocar esparadrapo em tecido social esgarçado.


PANO RÁPIDO. Caiu uma nova máscara, a encobrir manobras, como já aconteceu com a máscara da empulhação, no caso Varig.


Vale lembrar que nos projetos sociais, o governo federal tem como linha a terceirização de ações mediante o envolvimento de organizações não governamentais (ONGs) e não o Exército.


Na tragédia começada no morro da Providência, chamou-se o Exército para Crivella montar um curral eleitoral. Talvez, o bispo (--amigo de Lula, que afirmou não poder apoiar o candidato do Partido dos Trabalhadores à prefeitura do Rio em razão da sua amizade a Crivella--) tenha invejado o curral do Álvaro Lins, ex-chefe de polícia da família Garotinho.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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