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Exército nas ruas. Itália, vira Colômbia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 15 de junho de 2008.

ministro da defesa, Ignazio La Russa.

Não gosto de generalizar. Mas, dá vontade de dizer que os políticos são todos iguais, só muda o idioma. Quando aparece uma pesquisa com altíssimo porcentual da vontade da população, eles não conseguem se conter.

Como sabem todos os revólveres, fuzis, capacetes e granadas, o Exército nas ruas para contrastar à violência urbana é pura ação marqueteira, de “fachada”.

As formações, preparações, são diversas. E não venham com os exemplos de sucesso no Haiti, Kosovo balcânico, e Albânia. Nesses locais, as tropas militares colocaram os capacetes-azuis das Nações Unidas, ou seja, atuam de forma atípica (ou atuaram, caso da Albânia), em missão de paz, diante de tragédias e calamidades. Aliás, um comandante brasileiro, no Haiti e em depressão, suicidou-se.

Os soldados são preparados para as guerras, ou melhor, para se moverem num teatro de guerra. Já os policias, membros das polícias civil ou militar, são (ou deferiam no Brasil) adestrados segundo uma cultura de mediação social e não de “morte ao inimigo”.

A partir de hoje, --na Itália cujo governo de Sílvio Berlusconi se sustenta numa coalizão com neofacistas e separatistas--, o ministro da Defesa Ignazio La Russa, da ultra direita e adepto da tese da criminalização dos imigrantes clandestinos com pesado encarceramento, coloca na ruas 2.500 soldados. Eles auxiliarão no policiamento, em dez cidades: Roma, Milão, Torino, Florenza, Genova, Napoli, Bari, Bologna, Veneza e Palermo.

O falastrão ministro La Russa, advogado de formação e que já veste uniforme de campanha pintado (camuflado) nas aparições públicas, ficou empolgado com a pesquisa divulgada pela Sky-tg24. Pela pesquisa, 82% dos entrevistados italianos queriam soldados do Exército no policiamento urbano. Com a pesquisa na mão, o populista La Russa escolheu dez cidades, falou em emergência (não decretado estado de emergência) e destacou, para surpresa de generais, 2.500 militares para ações de policiamento. Para ele, a ”emergência” não passará de poucos meses, “no máximo uma experiência de hum ano” . Para o senador Antonio di Pietro, iniciador da famosa Operação Mãos Limpas quando pertencia aos quadros da magistratura do Ministério Público, “coisa do gênero só se faz na Colômbia”.

Os sindicatos de policiais (civis e carabineiros) e dos vigias urbanos, -- que falam ironicamente numa Itália com militares de quarteirão--, prometem protestos e discutir, na Justiça, a inconstitucionalidade e a ilegalidade da medida.

Por e.mail, conversei com um amigo juiz, na Itália. Ele lembrou que a direita incorporou, e venceu as eleições, o tema da segurança pública, da criminalização dos imigrantes e da xenofobia. No poder, e legitimados pelas urnas, medidas como colocar o Exército para fazer policiamento urbano, não são surpreendentes. PANO RÁPIDO. Pobre Itália, de populistas e neofascistas. Por exemplo, o recém-eleito prefeito de Roma quer dar nome de rua ao chamado pai do fascismo, ou seja, Via Giorgio Almirante.

--Wálter Fanganiello Maierovitch


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