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TERROR. O Julgamento do Século: terceira-parte.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 6 de junho de 2008.

Khaled, antes da prisão.


Ontem, Khaled Sheikh Mohammed estava preparado para mostrar aos fanáticos fundamentalistas islâmicos como deve se comportar um “jihadista”, depois de capturado e levado a um “tribunal de guerra dos cruzados”, como ele chamou a Comissão Militar que irá “julgá-lo”, em Guantânamo e se a Suprema Corte dos EUA não anular tudo e declarar ilegítima esse órgão “ad-hoc”, ou melhor, de exceção.

Duas fotografias são conhecidas do terrorista Khaled, mentor e planejador dos ataques de 11 de setembro de 2001, com 2.974 mortos, sem contar os dezenove camicaces do terror: (1) 264 pessoas nos quatro aviões; (2) 2.603 em Nova York; (3) 125 no Pentágono, sendo 55 militares. Fora isso, 24 pessoas são dadas como desaparecidas.

Na primeira das duas fotos, Khaled aparece com os cabelos despenteados, camiseta branca e bigote. É uma foto de 2003, quando foi preso. A segunda foto, bem antes da prisão, mostra um Khaled alinhado, com óculos.

Ontem, na sala de julgamento ele apareceu de barba comprida, gorro-branco, camisa tipo túnica e óculos. Assim, ele foi retratado pela desenhista incumbida de retratar o cenário, como um Paulo Caruso, no Roda Vida, da televisão Cultura.

Vaidoso, a contrariar o recomendado nos preceitos islâmicos, Khaled quis ver os desenhos. Não gostou dos esboços. Disse que não estavam bons e o seu nariz muito grosso. Pediu para refazer e foi atendido.

Depois de dizer que Alá era seu escudo, dispensou o defensor dativo e contestou o contido no termo de confissão que lhe foi exibido. Disse que o tradutor tinha errado e colocado na sua boca coisas jamais ditas. Frisou que tinha terminado na “terra da inquisição”.

Khaled, no dia da prisão.


Quanto à vaidade, apreendeu com o seu chefe Bin Laden que, depois de um longo desaparecimento, exibiu-se, num vídeo exibido em setembro de 2007, com a barba tingida de negro. Trocou o uniforme militar pela túnica de líder religioso, como convinha naquela ocasião.

Ninguém duvida, nem mesmo Khaled, que tudo que está ocorrendo em Guantânamo, no chamado “Camp Justice”, é uma farsa de julgamento, onde valerão provas colhidas em sessões de tortura, que será anulado pela Suprema Corte.

Só para lembrar, os EUA não subscreveram o Tratado de Roma, no que toca à criação do Tribunal Internacional. Ou melhor, não aceitam a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, que, caso vingasse a civilidade e a racionalidade, deveria ser o competente para julgar Khaled Sheikh e os quatro outros réus: (1) Manzi Binalshib, homem de ligação entre o chefe dos dezenove camicases escolhidos, Mohammed Atta, e Khaled; (2) Ali Aziz al Ali, sobrinho e homem de confiança de Khaled, seu substituto nas interlocuções; (3) Mustafa al Hawsawi, tesoureiro e arrecadador do projeto de 11 de setembro de 2001; (4) Waleed bin Attash, adestrador para missões especiais com emprego de suicidas.
--Wálter Fanganiello Maierovitc--


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