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Papa Ratzinger usa saída diplomática e sacrifica encontros com Lula, Evo e Cristina Kirchner..

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 2 de junho de 2008.



Em 1987, o papa João Paulo II visitou o Chile e, no balcão do palácio presidencial, ele apareceu para fotografias ao lado do ditador Augusto Pinochet.


Pelo planeta, choveram críticas e muitos exaltados consideraram que o papa estava a legitimar o regime e as mortes ocorridas durante o regime sangrento do fascista Pinochet.


Para os defensores do papa Wojtyla, tratava-se de uma estratégia de mediação voltada à abertura do regime. Em novembro de 1996, o papa João Paulo II recebeu Fidel Castro no Vaticano para, em 1998, estar com ele em Cuba, a retribuir a visita.


Assim, a diplomacia vaticana conseguiu equilibrar o jogo, embaralhar o quadro e colocar fim às polêmicas.


Na semana passada, como destacado em post deste blog , os jornais europeus noticiaram a visita do presidente do Irã ao papa Bento XVI, --por ocasião do encontro da FAO-ONU agendado para o período de 3 a 5 de junho em Roma.


Hoje, pouco antes da chegada a Roma de Manmoud Ahmadinejad, as autoridades iranianas avisaram que o presidente não estará com o papa. Nada mais foi esclarecido.


O fato, segundo os vaticanistas (jornalistas que cobrem o Vaticano e têm informações privilegiadas), é que o papa Ratzinger preocupou-se com as repercussões negativas do encontro. Aí, entrou em cena a diplomacia que, diante de uma série de pedidos de visitas de outros presidentes participantes do “summit” da FAO, acenou com um encontro coletivo. Frisou-se que o papa não teria agenda vaga para receber a todos, em colóquios pessoais.




Como o encontro coletivo não agradou e para não criar novos constrangimentos, o papa Ratzinger não receberá nenhum chefe de estado ou de governo, durante o “summit” da FAO.


Os presidentes Lula, Evo Morales e Cristina Fernandez Kirchner, estavam entre os que solicitaram audiência ao papa.


Ahmadinejad, em Roma, terá vários encontros com empresários italianos. A Itália é a principal parceira comercial européia de Teerã. No final de maio, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, e o recém-eleito primeiro ministro, Sílvio Berlusconi, receberam cartas de Ahmadinejad, desejoso de encontrá-los. Até o momento, não se sabe nada sobre as repostas de Napolitano e Berlusconi, que, por evidente, não pretendem desagradar a União Européia e os EUA com encontros de visitas incômodas.


--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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