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CRIME ORGANIZADO. Paramilitares seqüestram e torturam jornalistas do O DIA.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

foto Portal Terra: paramilitar em favela carioca.


Policiais militares e bombeiros, do serviço ativo e da reserva, estabeleceram-se, sem autorização das autoridades de segurança pública, em comunidades cariocas e fluminenses com o objetivo de expulsar associações criminosas armadas, que exploravam o narcotráfico e semeavam a violência.


O primeiro desses grupos paramilitares, segundo revelou o jornal O Globo, fixou-se em Rio das Pedras (Jacarepaguá) e passou a exigir dos moradores regulares e ilegais pagamentos pelos “serviços prestados”.


Os paramilitares espalharam-se por outras comunidades e hoje, segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, controlam 63 favelas.


Não demorou para os grupos paramilitares mudarem, junto à comunidade, de perfil. Passaram a governar os territórios, impor as suas leis e explorar os moradores. Além da “taxa de proteção”, os paramilitares exigem comissões em transações imobiliárias, cobram participação financeira em locações e até exploram a chamada “tv-gato”, ou seja, instalam receptores de sinais de televisão a cabo.


Nos territórios controlados, as milícias estabeleceram uma secessão do Estado, que não retoma o controle das áreas e deixa a população privada de direitos elementares, como, por exemplo, a liberdade de ir e vir e o direito de se manifestar e exigir segurança do Estado.


No mês de maio, uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal O Dia, alugaram um barraco na favela do Batan, no Realengo. A meta era colher elementos para uma matéria jornalística.


Os jornalistas, depois de duas semanas na favela do Batan (Realengo), foram descobertos por membros da milícia de paramilitares que controlam o lugar. Então, os três foram seqüestrados e torturados durante sete horas e meia.


Depois das torturas foram deixados, com vida, na Avenida Brasil, às 4,30hs de ontem.


O ocorrido é gravíssimo e. mais uma vez, mostra que a política de segurança no Rio de Janeiro não funciona. É feita à base de ações pirotécnicas, que coloca a população sempre no meio de confrontos espetaculares, de pouca duração, entre as forças de ordem e os membros das associações delinqüências de controle de favelas. O crime organizado, incluído as associações de paramilitares, continua a manter controle de território e social. E as forças de ordem não conseguem retirar das suas fileiras os agentes que mudaram de lado e, pela corrupção e indisciplina, tornaram-se bandidos de farda, carteirinha e crachá.


O seqüestro e a tortura aos jornalistas coincidem com as acusações contra o ex-chefe de polícia do Rio de Janeiro, delegado Álvaro Lins, de ter se associado à criminalidade organizada e formado, com autorização do ex-governador Antony Garotinho, um bando armado.


--Wálter Fanganiello Maierovitch--.


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