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LÍBANO. Novo presidente e o equilíbrio do poder no pacto de unidade nacional de 1943.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF,26 de maio de 2008.

Michel Suleiman, 59 anos, novo presidente do Líbano



A cadeira de presidente ficou vaga por seis meses. Graças a entendimento costurado pela Liga Árabe, com inúmeras reuniões no Catar, o único candidato ao cargo assumiu, ontem, a presidência. Isto, evidentemente, com a aprovação do hezbollah.


Trata-se do general Michel Suleiman de 59 anos de idade e, até a véspera, chefe das Forças Armadas.


Pela divisão que remonta ao pacto de unidade nacional celebrado em 1943 , a presidência do país é reservada a um cristão maronita. O primeiro-ministro fica com um muçulmano sunita e compete a presidência do Parlamento a um xiita.


O hezbollah, conhecido por Partido de Deus, desde dezembro de 2006 desmontou o ministério do premier Fuad Siniora e isto a fazer renunciar cinco dos ministros xiitas.


Em 07 de maio passado , facções armadas do hezbollah atacaram Beirute, depois de um decreto de Sinora que determinara o corte das linhas de comunicação dessa organização e demitia o responsável pela administração do aeroporto internacional de Beirute, ou seja, um general de perfil pró-hezbollah. As batalhas entre facções do hezbollah e grupos pró-ocidentais resultaram em 70 mortos e centenas de feridos.


Durante o conflito, o frágil Exército não interferiu e Suleiman conseguiu negociar com o hezbollah a desocupação e entrega de próprios públicos. Saiu fortalecido junto ao hezbollah, que referendou-o como presidente.


Pelo costurado, Saad Harri, de 38 anos e filho do assassinado premier Saad Hariri (2005), ocupará o lugar de Fuad Sinora. Hariri é o proprietário da Rede Futura de Televisão, que foi danificada e tirada do ar pelo hezbollah neste mês de maio.


Na presidência, Suleiman tentará pacificar o país, até as eleições gerais marcadas para 2009.


O grande problema a ser enfrentado por Suleiman é o desejo do hezbollah de rever o pacto de unidade nacional de 1943, que estabeleceu a divisão confessional entre maronitas (presidente), sunitas (primeiro-ministro) e xiitas (presidência do Parlamento).


Argumenta o líder do hezbollah que os xiitas já são maioria, ou seja, representam 34% da população. Quando do antigo pacto, os xiitas representavam cerca de 19,6% da população, enquanto os maronitas correspondiam a 28,8% e os sunitas 22,4%.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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