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Tragédia Humanitária, Xenofobia e Crime contra a Humanidade

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 19 de maio de 2008.

foto: general Than Shwe, ditador da Birmânia, chefe da Junta Militar golpista.

O ministro de relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, acertou em cheio na sua colocação E, no final de semana, o premier britânico Gordon Brow fez eco à sua indignação.

O ministro francês disse que a ditadura militar da Birmânia (Myanmar) comete crime contra a humanidade ao impedir a ajuda humanitária internacional, depois da trágica passagem do ciclone Nargis, ocorrida há duas semanas.

. Para Gordon Brown, é “desumana” a postura da junta Militar birmana: - “ Uma situação insustentável. Uma calamidade natural foi transformada em motivo para outra catástrofe, esta decorrente da negligência de um regime que não permite à comunidade internacional de realizar o que deve ser feito”

Até o momento, navios franceses e norte-americanos, carregados de víveres e medicamentos, permanecem fundeados ao largo da costa da Birmânia no aguardo de autorização da Junta Militar para atracar e desembarcar a ajuda humanitária.

Pelo balanço oficial da ditadura conduzida pelo general Than Shwe, o número de mortos atingiu a 78 mil e mais de 56 mil estão desabrigados. Para os observadores internacionais, o país conta com mais de 2 milhões de necessitados de ajuda ( a população do país é de 47. 650. 000 habitantes, conforme censo de 2006)

PANO RÁPIDO A ditadura militar da Birmânia transformou o país num narco-estado. Aung San Suu Kyi, 62 anos de idade e vencedora do prêmio Nobel da paz de 1991, continua a sofrer restrições à sua liberdade individual: permanece em prisão domiciliar há 12 anos.

Aung San Suu Kyi é filha do genereal Aung Sang que, em 1947, negociou a independência do país, antes colônia britânica. Ele foi assassinato, logo depois, por políticos rivais.

A ditadura militar na Birmânia começou em 1962, com o general Ne Win. Uma Junta militar, em 1989, deu continuidade ao regime e no mesmo ano trocou o nome do país para Myanmar.

Em 1990, depois de eleições livres, o partido da Liga Nacional para a Democracia, liderado por Aung San Suu Kyi, venceu as eleições por uma folgada maioria de votos. Mas, os ditadores da Junta anularam tudo e impediram Aung San Suu Kyi de assumir o governo, a pretexto de ser casada com estrangeiro.

Depois dos massacres dos monges budistas e civis, que saíram no final de 2007 em protesto contra a carestia, a Junta recebeu um enviado nas Nações Unidas, Ibrahim Gambari, e prometeu um referendo para mudanças constitucionais.

O referendo deste mês maio, que não foi suspenso apesar da tragédia decorrente do ciclone de Nergis. O ditador –maior, Than Shwe, não suspendeu o referendo, -- já maculado pela fraude e falta de legitimação--, e o resultado não alterará o poder dos militares. Em síntese, tudo permanecerá igual, salvo se a ONU tiver força para agir.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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