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Fascista vence eleição para prefeito de Roma.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 29 de abril de 2008.

No domingo e ontem, os romanos foram às urnas para escolher, em segundo turno , entre o candidato de centro-esquerda, Francesco Rutelli, e o candidato da coligação de centro-direita, procedente do partido neofascista Aliança Nacional (NA), Gianni Alemanno.

Imperador Marco Aurélio, estátua eqüestre nos museus Capitolini.



No primeiro turno, Rutelli, um ex-prefeito de Roma que venceu em 1993 o neofascista Gianfranco Fini (presidente do NA), ganhou com folgada diferença.

Para o segundo turno, no entanto, Rutelli não contou com o apoio da esquerda. Esquerda que havia sido preterida da coligação dos democratas liderada por Walter Veltrone, que perdeu para Silvio Berlusconi.

A coligação de esquerda (incluídos verdes e radicais), com o nome de Arcobaleno (Arco-íris), não conseguiu nenhuma cadeira na câmara e no senado, a ficar fora nomes históricos e de peso da política italiana, como Fausto Bertinotti e Oliviero Deliberto, por exemplo. Bertinotti, por exemplo, deixa a presidência da Câmara e volta para casa.

Do lado da direita, Alemanno uniu-se com os que tiraram votos de Berlusconi, como a ultradireitista Daniela Santachè e o nazi-fascista Francesco Storace. A união com Storace, como já escrevemos em “post” deste blog, gerou protesto dos hebreus que vivem em Roma, no maravilhoso ex-ghetto judeu. Com a esquerda partida e a direita unida e sob a batuta do futuro premier Silvio Berlusconi, venceu, com 53,7% dos votos, Gianni Alemanno, que, segundo o velho e respeitado jornalista Giorgio Bocca, continua com discurso fascista, pois desde jovem esteve entre eles.

Rutelli ficou com 46,3% dos votos e acabou de declarar que foi deixado sozinho na campanha.

Durante 15 anos, ou seja, desde 1993, Roma era um reduto da esquerda, que derrotava fascistas, direitistas e centristas. Infelizmente, não será mais assim.

Pior é que venceu o discurso nacionalista contra os imigrantes, dourada a questão como sendo preocupações decvorrentes do aumento crescente da violência e da criminalidade.

PANO RÁPIDO. O novo prefeito eleito assumirá o seu posto no Campidoglio, em 1 de maio. Nos “Musei Capitolini”, com frente à majestosa praça de Michelangelo, os fantasmas etruscos e romanos devem estar a aguardar a chegada de Mussolini, pronto a derrubar o imperador Marco Aurélio de cima da sua estátua eqüestre, estacionada num dos dois museus capitolinos.
--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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