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Caso Cacciola. Extradição, inside information e desabafo.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 17 de abril de 2008.

A minha caneta assessora, a Concetta Rompicoglione, acha que eu deveria, -- perante os ouvintes da CBN e leitores desta modesta página eletrônica ---, fazer um desabafo sobre o caso Cacciola.


Salvatore Cacciola.


Não consegui colher a opinião da Enza (Vincenza) Carbonária, minha outra caneta assessora e de boa linhagem. Ela foi votar contra o Berlusconi e, decepcionada, ainda não retornou.


A Carbonária, -- “cognome” tirado da potente sociedade secreta que atuou no século XIX na Itália e se reunia em carvoarias (carbone = carvão) para disfarçar--, decepcionou-se, também, com a não re-eleição para o Parlamento italiano da brilhante e inteligente Luxúria.


Vladimir Luxuria foi a primeira travesti eleita na história dos parlamentos europeus. Na eleição desta semana, ela concorria pela coligação Arcobaleno (Arco Íris), como integrante do partido da Refundação Comunista.


A assessora Margô SansCulotte, consultada, deixou um bilheta com duas frases, escrito com a própria pena: “As caravanas passam” e “A fila anda”. Pelo jeito, coisas já ditas pelos seus antepassados, quando da Revolução Francesa.


Bom vamos aos fatos.


No boletim Justiça e Cidadania da rádio CBN, afirmei, certa vez e de Roma, que os paraísos fiscais, -- em razão de lavagem de dinheiro sujo e reciclagem de capitais-- estavam sendo pressionados pela comunidade internacional e procuravam melhorar as suas imagens.


Na ocasião, disse, até, que eu estava convidado para fazer uma palestra sobre lavagem de dinheiro no Principado de Mônaco.


No boletim e diante do supracitado quadro internacional de pressões eu conclui, --e o jornal O Globo deu em destaque --, que o nosso ministro da Justiça, Tarso Genro, deveria ir ao Principado de Mônaco para mostrar a gravidade dos crimes, o rombo provocado, e o efetivo interesse do Brasil na extradição do Salvatote Cacciola, que é cidadão italiano. Aliás, um italiano banqueiro no Brasil e que fez fortuna com informações privilegiadas obtidas. Era o campeão do “inside information” . Leitor do jornal O Globo, o ministro da Justiça pediu para que o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júniorr, me telefonasse para que eu confirmasse o cenário geopolítico.

O secretário Tuma Jr esqueceu da diferença do fuso horário italiano e me ligou às 2 horas da madrugada. Não preciso dizer do susto, em especial porque minha família estava no Brasil.


Pois bem. O ministro Tarso Genro analisou o quadro favorável com o Itamaraty e partiu para Monte Carlo, capital balneária do Principado.


Aí, começaram as gozações sobre o “tour turístico” do ministro Tarso Genro. Lógico, daqueles mal-informados, que gostam de opinar com base em reflexões de papo de bar.


Agora, com a Justiçade Mônaco tendo deferido a extradição,chegou a hora de desabafar. Isto para dar os parabéns ao ministro Tarso Genro e ao seu secretário nacional, Romeu Tuma Jr.


E agora ?


A efetivação da extradição dependerá de um ato do príncipe. Algo igual ao caso do Abadia. O STF concedeu a extradição e, agora, cabe ao presidente Lula referendá-la ou não.


Por outro lado, o Cacciola, --que mora num castelo que reformou, tem escritório em Roma. E nessa cidade é tradição a colocação de avisos nos prédios, debaixo da placa de identificação do dono do escritório ou do morador do apartamento. Por exemplo, sai em férias de verão, fechado por luto em família, interditado para reforma, etc.


Debaixo da placa de identificação Salvatore Cacciola, poderia ser deixado um aviso: “ In Galera Brasiliana Prestissimo”.


--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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